Líderes das torcidas de Palmeiras e Corinthians ‘prometem’ paz em reunião na PM

Mancha e Gaviões falam em clássico sem problemas, mas não revelam saídas para o Pacaembu por temer emboscada

Robson Morelli

24 de outubro de 2014 | 12h58

Eu mesmo já cobri pelo menos umas dez reuniões dessas na sede do 2º Batalhão do Choque da Polícia Militar com representantes das torcidas organizadas de São Paulo, nos moldes da que aconteceu nesta sexta-feira entre os líderes de Palmeiras e Corinthians, que jogam sábado no Pacaembu. E garanto que tudo não passa de teatrinho sem sentido depois de tantas confusões nos estádios e em seus arredores, com mortes e feridos de todas as cores e bandeiras.

A maior prova de que isso não funciona, e por culpa dos torcedores, é a falta de comprometimento que as uniformizadas têm nos compromissos assumidos. No Choque, eles garantem que nada acontecerá. Na hora do jogo, é cada um por si, e quando ocorrem as brigas e mortes, sempre dizem que os arruaceiros da vez não fazem parte da organizada ou que eles não têm o controle sobre todos os torcedores do time. De fato, há líderes regionais das torcidas, mas há também um comando na sede delas. Se as lideranças não têm esse comando, de nada vale então essa reunião na PM. Daí minha afirmação de que tudo não passa de um teatro.

Na manhã desta sexta, palmeirenses e corintianos se comprometeram a não brigar, mas se recusaram a divulgar horário e caminho que farão no sábado para chegar ao Pacaembu. O motivo? Medo de emboscada. Ora, se eles prometeram que não vão brigar por que então temem emboscadas?

A PM não acredita nessas reuniões há anos, e por motivos óbvios. O maior deles é que os líderes das organizadas não conseguem controlar seus rebanhos e eles próprios, em muitos casos, estão à frente das confusões. O segundo motivo é que a polícia prende e os juízes soltam os briguentos. Nos bastidores do Choque isso é comentado sem restrições. Por isso que a PM vai mandar 6 mil homens para as ruas. O jogo é de risco. Domingo passado, houve a emboscada de palmeirenses a santistas na Anchieta, com a morte de um torcedor do Palmeiras.

Isso só vai acabar com punição pesada aos clubes.

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