Love é a maior prova que jogador desaprende em países de menos ou nenhuma tradição

Atacante do Corinthians está a seis rodadas sem marcar e Tite sofre para recolocá-lo em dia: pode demorar mais do que se imagina

Robson Morelli

31 de julho de 2015 | 11h35

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Vágner Love passou um bom tempo na China, que até a Copa América era uma praça na mira do técnico da seleção brasileira. Dunga defendia que o time nacional poderia contar com jogadores de qualquer lugar do mundo, dando de ombros para o nível do futebol praticado em rincões do planeta. Se estive na graça do treinador, Love poderia ser convocado para defender o Brasil. E assim valia para todos os outros campeonatinhos espalhados pelo mundo. Se aparecesse um craque no futebol do Havaí, lá estava a comitiva da CBF, liderada por Gilmar Rinaldi, a fim de observá-lo, sem levar em consideração a qualidade e competitividade do torneio local.

Não se sabe se Dunga continua pensando dessa forma após o fiasco da competição do Chile.

Num passado mais digno, os jogadores da seleção brasileira eram escolhidos com mais critério. Love é a maior prova de que o jogador desaprende em países de pouca tradição com a bola. O atacante do Corinthians maltrata a bola, corre errado, chuta quando tem de passar e passa na hora do arremate, demonstrando ter perdido na China tudo o que aprendeu no Brasil. Atuar em campeonatos não competitivos e somente por dinheiro provoca isso.

O camarada, quando aceita um contrato para a Índia, tem de saber que sua carreira vai ‘sumir’, que a seleção virou sonho impossível (pelo menos deveria ser assim) e que jogar com qualidade não será mais sua obrigação. O próprio Valdivia disse que iria para o mundo árabe para ser menos cobrado e enfrentar menos pressão do que tem no Palmeiras. É isso.

Tite sofre agora para colocar Love em dia, recuperar o tempo e o futebol perdidos na China. E vai demorar para isso acontecer, se acontecer. Talvez nem acontece nesta temporada. Primeiro, Love ganhou um tempão, 15 dias, para trabalhar somente sua parte física na tentativa de se aproximar dos companheiros. Agora, precisa retomar sua condição técnica, confiança, qualidade, faro de gol, tudo, enfim, que desapareceu no futebol chinês.

Love ganha quase R$ 500 mil por mês e está longe de ser o cara que o Corinthians precisa para seus gols. Esta na dele. Ganhou bem quando foi para a China e ganha bem na volta ao Brasil. A necessidade de contratar jogadores que já mostraram alguma coisa no futebol, é Love é um deles, faz com que os clubes se rendam a pedidos altos de salários na esperança, quase sempre equivocada, de boas partidas. Compra-se o jogador do jogador do passado, sua história e currículo. Esses jogadores que vão ganhar a vida em países satélites do futebol de verdade precisam recomeçar quando retornam. Não é só vestir a camisa e jogar. Ficaram para trás. Esse entendimento precisa estar na cabeça do torcedor. Love precisa de uma temporada para se readaptar. Cobrá-lo agora só vai atrapalhar esse processo. O Corinthians não pode depender dele. Deveria saber disso.

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