Luxemburgo está de volta, e em grande estilo no Flamengo

Luxemburgo está de volta, e em grande estilo no Flamengo

Treinador reassume seu papel de coadjuvante no futebol brasileiro e faz 'limonada' de um Rubro-negro de poucos 'limões'

Robson Morelli

16 de outubro de 2014 | 12h12

Luxemburgo volta a brilhar no Flamengo com bom trabalho

Luxemburgo volta a brilhar no Flamengo com bom trabalho

Vanderlei Luxemburgo está na área novamente. Com um elenco mediano, o treinador vem conseguindo colocar o Flamengo em evidência depois de o clube da Gávea ocupar nesta temporada a última posição do Campeonato Brasileiro. Durante a Copa do Mundo, dentro do Mané Garrincha, em Brasília, onde a seleção brasileira fez duas partidas, encontrei Luxemburgo de terno e gravata dirigindo-se apressadamente para a cabine da Fox Sport, onde foi comentarista. Nesse breve encontro, ele me disse que voltaria a trabalhar após o Mundial.

Parecia mais alegre e disposto a se recolocar no mercado. Escolheu um clube que conhecia bem, onde jogou e trabalhou em outras ocasiões. Estava convencido de que ainda poderia dar alguma coisa para o futebol. Luxemburgo se perdeu em seus últimos trabalhos, ou estava à frente de todos, inclusive dos cartolas, ou ultrapassado em seus métodos. Parou. Deu um tempo. Curtiu a família e as netas, ficou do lado das filhas. Nesse tempo sabático, o treinador talvez tenha entendido que seu conhecimento, técnico e tático, do futebol ainda supera muitos colega mais bem posicionados do que ele. Resolveu voltar.

Seu projeto no Flamengo é modesto, mas funciona. Modesto porque antes de assinar o contrato, viu a mão de obra que tinha no vestiário. Tinha de fazer uma limonada sem limões, ou com poucos. E, sem desmerecer ninguém, resgatou a confiança e a autoestima de todos e decretou na primeira preleção seu grande objetivo: salvar o Flamengo do rebaixamento. É claro que não foi só isso. Luxemburgo não se contentaria com missão tão nobre, mas também tão pequena para seu ego e histórico. Mas desta vez, preferiu não fazer alardes, promessas, ser o técnico expansivo que sempre foi. Trabalha calado, quase humilde.

Certamente não queria ter sua competência questionada novamente, como ocorreu nos últimos trabalhos. Quando a coisa aperta para seus jogadores, aparece como um escudo para protegê-los, desviar o foco, criar factoides a fim de aliviar para o elenco. Dessa forma, o Flamengo deixou as últimas colocações do Nacional, já ocupa posição intermediária e ainda alterna o Brasileirão com a Copa do Brasil. Nada mal para uma equipe que estava fadada ao rebaixamento e ao fracasso completo na temporada. Bom para o torcedor do Flamengo e bom também para Luxemburgo, que volta a ganhar reverência de tempos passados à beira do gramado. Bom ainda para o futebol.

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