Luxemburgo vai agitar o Campeonato Brasileiro à frente do Sport

Sua presença no Sport nos obriga a olhar para a Ilha do Retiro com frequência

Robson Morelli

30 Maio 2017 | 11h26

Vanderlei Luxemburgo faz falta ao futebol e não tenho dúvidas de que ele vai agitar o Campeonato Brasileiro. Na China, onde esteve em seu último trabalho, ele foi para ganhar dinheiro. Poucos acreditam que o país das multidões vai um dia se tornar forte numa Copa do Mundo, por exemplo. Esse negócio chamado futebol tem algumas características enraizadas, como a tradição. E convenhamos, a China não tem um pingo de tradição com a bola nos pés. Sua precisa na Ilha do Retiro nos obriga a olhar para o Sport com frequência.

Luxemburgo ainda merece respeito. Seu conhecimento sobre futebol é gigantesco. Exclua todas as bravatas do treinador e suas aventuras por terrenos que ele não domina, e você terá um Luxemburgo limpo para comandar um time de futebol. A tratativa dos dirigentes do clube pernambucano foi olho no olho, explicando ao treinador qual é o seu trabalho. Em outras palavras, concentre-se nas atividades de campo. Esse foi o recado. Se fizer isso, o Sport vai dar trabalho na temporada. O elenco é bom e o clube será visto de outra maneira de agora em diante.

O contrato até dezembro também mostra a Luxemburgo que ele está sendo avaliado, não no sentido de sua competência ou expertise, mas sobretudo no seu comportamento. Será sua primeira vez no Nordeste, lugar abençoado por Deus.

Clube nenhum quer ter um treinador problemático em suas fileiras. Luxemburgo sofreu com isso no passado, ao ser demitido da seleção brasileira, e ainda carrega essa pecha de técnico-mandão. Ele vez por merecer alguns desses rótulos. Ocorre que toda vez que o vejo num time novo, reajo como uma grande mãe, sempre pronta a dar nova chance ao seu filho.

Renato Gaúcho, que fez o Grêmio campeão da Copa do Brasil, também era, até outro dia, um treinador obsoleto, sem cursos na Europa e mais a fim de se divertir na praia (desconte aqui algum exagero meu). De repente, transformou-se num treinador capaz de levar o Grêmio a saltos mais altos, como no passado, e até transou fácil sua renovação de contrato. Luxemburgo precisa do mesmo remédio. Ganhar algo pelo Sport, a Copa do Brasil, quem sabe, para se firmar no cenário novamente até para que não seja esquecido ou aposentado sem sua vontade. Ele foi grande demais para acabar assim, sem glórias ou alegrias, sem trabalho e, pior de tudo, sem mostrar seu conhecimento e valor.

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