Mano comanda seu ‘segundo quadro’ em Goiânia

Robson Morelli

19 de setembro de 2012 | 15h04

Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. Na Europa, tem o Barcelona na Copa dos Campeões. No Brasil, em Goiânia, tem mais um jogo da Seleção Brasileira. Pelo menos a camisa é a da Seleção. Já os jogadores, um ou outro apenas. Mas o evento é chamado pomposamente de Superclássico porque põe Brasil e Argentina em campo.

Digamos que esse confronto já foi mais respeitado, dos dois lados. Como Mano e Sabella não podem contar com o que têm de melhor porque não se trata de data da Fifa, eles chamam uma espécie de segundo quadro de seus times, com um ou outro jogador de primeira linha. Para os argentinos, isso pode servir. Para nós, não.

Esse é o problema da CBF e do técnico Mano Menezes ou de quem esteja no comando dos jogos do Brasil. Essa gente ainda não percebeu que jogos assim não valem nada para a preparação da equipe. O torcedor de Goiás, receptivo e apaixonado por futebol que é, já comprou com antecedência 39 mil dos 42 mil colocados à venda. Mesmo começando às 22h, ainda é bom programa, para aplaudir ou vaiar. A fase é mais para a segunda opção.

O fato é que o Brasil só tem a perder com esse Superclássico. Se ganhar, como na edição anterior, não dá um único passo em direção à Copa de 2014. Enriquece sua estatística, e só. Se perder, toma paulada. Esse Brasil não é o time do Mundial. É o segundo quadro. Entendo que a Fifa não facilita para as seleções nem os clubes estão dispostos a liberar seus astros a todo instante. Por isso que é preciso ter um esquema de jogo, uma tática definida, uma proposta clara na cabeça dos jogadores, mais ou menos como faz o Barcelona ou a seleção da Espanha. Mano Menezes não tem nada disso.

Pior. Ninguém da Seleção, nem o goleiro, sabe se é titular ou reserva. Nem isso Mano, a CBF ou quem toma conta da Seleção definiu ainda. Então, seja qual for o resultado contra a Argentina (é todos sabem que ganhar dos argentinos é sempre bom), o cenário para a Copa não muda.

E já que a fase da Seleção está mais para vaias do que para aplausos, a CBF precisa também dar um basta nessa situação de o time ‘vender a alma para o diabo’ e retomar as rédeas dos amistosos. Nesta semana foi confirmado um jogo contra o Iraque, do boa pessoa Zico. Mas o que essa partida acrescenta para a nossa equipe? Nada. É mais um tiro no vazio. Começo a achar que teremos Copa e estádios, mas não teremos um time.

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