Mano e Corinthians precisam reencontrar o caminho do sucesso

Robson Morelli

30 de janeiro de 2014 | 18h05

“É inadmissível! Mas aconteceu.” Foi assim que Mano Menezes tentou explicar a surra de 5 a 1 sofrida para o Santos no clássico da Vila. O Corinthans, no português das arquibancadas, ‘não viu a cor da bola’, ‘tomou um vareio’, ‘um baile diante dos rápídos jogadores santistas’. Fazia tempo que não via um clássico tão desigual como foi o desta quarta-feira. De um lado, um time emperrado, lento, de jogadores que corriam errado e sem envolvimento. Do outro, um bando de moleques liderados pelo volante Arouca, que jogou muito. Moleques que queriam fazer bonito. E fizeram.

Os problemas de Mano são muitos. E olha que o Paulistão é só o começo da temporada. Imagino que os adversários do Brasil, como Cruzeiro, Atlético-MG, Inter, Flamengo, Grêmio, e outros tantos, tendem a melhorar nas competições nacionais. E o Corinthians, na contramão disso, trocou de técnico sem se livrar de contra-pesos da temporada passada. Refiro-me a jogadores que não dão mais caldo no Parque São Jorge. Dou nomes: Danilo, Emerson (apesar de mostrar disposição), Douglas, Ralf (que é bom jogador, tem vigor, mas parece precisar de novos ares, cores novas na camisa). Nem mesmo Guerrero, o herói do Mundial, se salva neste começo de ano. Na Vila, queria mais saber de mostrar a valentia do jogador peruano do que seu talento em fazer gols. Estava alucinado. Romarinho, da mesma forma, não pegou na bola. Deu trabalho zero para a defesa santista.

Foi uma surra que expôs fraturas. Nem mesmo a defesa, uma das mais sólitas em outros carnavais, com Gil e Paulo André, deu conta do recado. Os grandalhões corintianos de peitos estufados sucumbiram diante dos meninos de canelas finas. Foi um totó. A torcida santista queria sete gols – p-ara devolver goleada passada. O time parou nos cinco porque abusou dos toques de pé em pé, empurrado pela provocação da torcida, que gritava olé sem parar. Mano tem muito trabalho no Corinthians, como tinha Tite antes de entregar o cargo sem conseguir fazer esse time jogar no segundo semestre.

O pior de tudo isso é que Mano vem de fracassos retumbantes na seleção e no Flamengo e, embora tenha adquirido o respeito do corintiano de modo geral, terá de rebolar para fazer esse grupo dar frutos. E agora, tudo começa a ser para ontem. O Paulistão, felizmente para o Corinthians, permite reações imediatas dos grandes, dada a fragilidade dos pequenos. O desafio, no entanto, é engrenar essa equipe, achar o time de 1 a 11, passar confiança aos titulares, recuperar os que parecem entregues, como Alexandre Pato. Portanto, a tarefa não é das mais fáceis. E agora com uma goleada na bagagem.

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