Mano Menezes retoma sua carreira já ‘sob pressão’ com o Cruzeiro

Mano Menezes retoma sua carreira já ‘sob pressão’ com o Cruzeiro

Treinador ocupa o cargo que era de Luxemburgo com a missão de salvar o time da degola. Começa um trabalho em setembro, faltando três meses para o fim do Brasileiro

Robson Morelli

02 de setembro de 2015 | 10h22

Menos de 24 horas depois de demitir Vanderlei Luxemburgo, o Cruzeiro anunciou seu novo treinador. É Mano Menezes, que estava no mercado à espera de uma boa oferta, não somente financeira, mas de projeto. Imagina que chegou. Luxemburgo virou estatística e Mano é o próximo da vez caso as coisas não caminhem como a diretoria do time de Minas imagina, o que quer dizer, não ser rebaixado, de cara, ganhar algumas partidas e não correr risco diante de sua torcida. Nem precisa ganhar nada. O nível é esse, infelizmente. Na verdade, não há projeto. Na mesa de negociação, quando ela não ocorre por telefone, do tipo, “vem aí”, fala-se em resultados apenas. Ganhar, ganhar, ganhar.

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Portanto, Mano Menezes sabe que assumirá o cargo com uma única missão: não deixar o Cruzeiro cair para a Série B. Joga com a Ponte nesta quarta, em Campinas. O time tem 22 pontos, mesmo número de Goiás e Coritiba, afundados na Z-4. Luxemburgo tinha muito mais condições de ajudar a equipe nesse momento, já que trabalha com o elenco há algum tempo. Mano começará do zero em setembro, faltando três meses para o fim da disputa.

O folclore do futebol brasileiro prega que todo elenco reage com a chegada de um chefe novo. Fosse assim, presidentes de clubes teriam de mandar embora os próprios jogadores, de sacanagem com o treinador antes da demissão. Não sei se é esse o caso do Cruzeiro. De acordo com o próprio Luxemburgo, o grupo estava focado em achar o caminho das vitórias e subir na tabela. Só não aconteceu. Agora, com a mudança, só Deus sabe o que vai acontecer.

O Santos é o único de quem se tem notícias de uma boa melhora com a troca de comando. Dorival Júnior deu jeito no time da Vila, coisa que Marcelo Fernandes não estava conseguindo. Ocorre que há uma enorme diferença técnica entre Luxemburgo e Marcelo Fernandes. Imagino que qualquer um com mais experiência que o santista daria conta do recado, porque o time da Vila não é ruim. Os outros clubes que optaram por mudar de treinador ainda tentam se encontrar, casos de Flamengo e Vasco, só para citar dois exemplos.

Engraçado também foi ler que o presidente do Cruzeiro horas antes de demitir Luxemburgo disse que ele não perderia o cargo. Na semana passada, o mesmo cartola declarou ter errado na demissão de Marcelo Oliveira, hoje no Palmeiras, e que não cometeria o mesmo erro com Luxemburgo. Cometeu. Mas como no futebol tudo se desmancha no ar, e o dito vira não-dito em questão de horas, Luxemburgo e sua comitiva estão novamente desempregados. E assim vai o futebol nacional.

Isso só vai mudar se um dia os treinadores se unirem e não aceitarem mais empregos no meio da temporada. Não obrigado! Aí, o clube que demitiu terá de se virar para tocar o campeonato. Isso é utopia. Ninguém resiste a um salário de R$ 300 mil, R$ 400 mil por mês. E todo mundo tem de trabalhar. Desse modo, Mano Menezes começa uma nova fase em Minas Gerais.

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