Manter ou desmarcar o jogo entre Palmeiras e Flamengo por causa da covid-19 no elenco carioca?

CBF e clubes envolvidos devem tomar a decisão ainda hoje, mesmo que tenham de mudar o protocolo

Robson Morelli

24 de setembro de 2020 | 10h44

O tema não é tão simples assim, nem deve ficar somente à mercê dos entendimentos esportivos. É muito mais do que isso. A primeira coisa é torcer para que todos se recuperem e que ninguém precise ser internado e entubado. Pior, que venha a morrer. O futebol torce pela recuperação de seus personagens. Isso precisa ficar claro, independentemente dos caminhos que a discussão tiver de tomar. É necessário entender os fatos.

O primeiro é a constatação da contaminação dos jogadores e membros da comissão técnica do Flamengo. Isso é sério. Um jogador passa para outro. O segundo fato é o que diz o regulamento da competição. O terceiro fato é o entendimento das partes. O quarto fato é a mediação da discussão em caso de necessidade.

Isso posto, há temas a ser colocados na mesa. O Flamengo pede a mudança de data da partida, que deveria ocorrer domingo. Jogo de TV. O Palmeiras não aceita. Quer jogar. Parece fácil entender. Não é. O argumento do Flamengo é muito válido. Parte do elenco não está bem. Pegou uma doença que mata. Precisa ficar em quarentena e em observação, como recomenda a saúde pública. Precisa dar exemplo aos outros clubes e elencos do futebol brasileiro. A CBF poderia ter incluído no protocolo que qualquer time que tiver quatro ou mais atletas impossibilitados por covid-19 deveria ter seu jogo anulado. Pode colocar isso ainda. Ela manda.

Mas também é válido o argumento do Palmeiras. Não quer ser penalizado porque seu rival não cumpriu os protocolos. Os protocolos foram feitos para isso. Para evitar a contaminação, dar responsabilidade, evitar o contágio. Então o Flamengo não faz isso e quem tem de pagar é o Palmeiras? Isso é um jeito de ver as coisas. Se pune no Brasil quem faz as coisas certas. Por isso que digo que é complicado tomar uma decisão. Terá de mudar o protocolo. Talvez diante da pandemia, tenha de fazer isso. O que está em jogo são vidas.

De qualquer forma, a terceira via é a pior. Ela trata da briga pura e simples de cada presidente de clube olhar somente para seu umbigo. O Flamengo, que agora pede compreensão, liderou sozinho uma costura com o presidente Jair Bolsonaro para mudar as regras da transmissão de TV. Não chamou ninguém para a discussão. Nem pensou nos colegas de outras equipes. Passou o tratar. Por que agora os outros cartolas teriam de lhe estender as mãos?

Sim, é um pensamento mesquinho. Mas a turma do futebol é mesquinha mesmo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: