Marcelo Oliveira foi vítima de uma ‘morte’ anunciada

Marcelo Oliveira foi vítima de uma ‘morte’ anunciada

Decisão do presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, foi tomada após a derrota para a Ferroviária

Robson Morelli

11 de março de 2016 | 08h59

A demissão do técnico Marcelo Oliveira era uma decisão anunciada, retardada porque o time ganhou as últimas partidas depois de apanhar da Ferroviária em casa, pelo Paulistão. A partir daquele fracasso contra a equipe de Araraquara, o presidente Paulo Nobre já havia condenado o trabalho do treinador. Nada pessoal, diga-se, até porque ele mesmo era um entusiasta do comandante. Pesou a frieza da avaliação. De um lado, todo o dinheiro investido – somente em Barrios foram R$ 40 milhões -, o tempo de trabalho e os resultados obtidos. Do outro, a forma de o time atuar, a falta de uma linha de condução para escolher os titulares, a bronca da torcida e o fim da paciência com os chutões e bolas erguidas na área, absolutamente contrários ao estilo que conduziu o Palmeiras em seus anos de glória.

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Numa breve comparação com os anos de Parmalat, quando o dinheiro também corria solto, o Palmeiras tinha um time bem melhor, capaz de encantar até mesmo quem não era palmeirense. Dinheiro, até onde consta, não falta para este Palmeiras, nem jogadores talentosos. Há parceiros endinheirados. O presidente também tira do bolso para dar ao clube. Já ‘investiu’ mais de R$ 100 milhões. O que falta é um maestro para conduzir a banda, Marcelo Oliveira, que teve todo tempo do mundo para afinar as ferramentas, mas fracassou.

A derrota para o Nacional, do Uruguai, foi apenas o último capítulo de uma trama que não deu liga nem ibope. O time, sob seu comando, nunca rendeu o que se espera dele. Nem sempre por sua culpa, ressalta-se, como ressaltou o próprio Alexandre Mattos, que o trouxe de Minas pelas próprias mãos. Os jogadores também foram colocados contra a parede após o péssimo resultado no Allianz na quarta.

Mas nunca a diretoria teve tantos argumentos para optar pela troca. Um treinador deve sempre ser avaliado depois de uma temporada, depois de tempo para mostrar serviço e qualidade. Trocar no meio de campeonatos, como Paulista e Libertadores, nunca foi uma saída das mais coerentes. Times que fizeram isso quase sempre enfraqueceram. Desta vez, no entanto, não seria demais dizer que Marcelo teve todas as oportunidade para ajeitar a casa e não encontrou soluções nos 53 jogos que comandou, com 24 vitórias e 18 derrotas. Portanto, a diretoria tinha seus motivos para demiti-lo.

Sua lista de contratempos é extensa, desde a exposição desnecessária do zagueiro Leandro Almeida após erros de campo até a insistência com alguns jogadores que não estão rendendo, como Lucas e Zé Roberto, passando pela falta de um sistema de jogo, abuso dos chutes da defesa e resultados ruins e atuações duvidosas. A paciência acabou. Mas que isso, a troca se fazia necessária, de acordo com os dirigentes, porque o trabalho não estava fluindo, avançando. Cuca tem tudo para ser o novo técnico da era Nobre no Palmeiras. Ele é o mais indicado em enquete feita pelo Estado nesta quinta.

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