Marin, a vergonha de uma sentença de prisão aos 86 anos por corrupção no futebol

Marin, a vergonha de uma sentença de prisão aos 86 anos por corrupção no futebol

José Maria Marin é condenado a 48 meses de prisão e terá de devolver R$ 4,7 milhões

Robson Morelli

22 Agosto 2018 | 15h35

O tribunal dos EUA faz justiça com um dos homens mais importantes do futebol brasileiro, o ex-presidente da CBF, Jose Maria Marin, ao condená-lo a 48 meses de prisão por crimes de corrupção no esporte. O futebol brasileiro e seus coronéis não estão mais acima das leis, como eles sempre pensaram estar. Marin já está preso há 13 meses, entre Suíça e EUA, e terá um abatimento de 7 meses na pena por bom comportamento, o que também é da lei. Ocorre que quem esperava que o cartola fosse ser liberado sem pena, se deu mal.

Seus comparsas do crime devem estar todos precavidos com a sentença, e novas prisões e condenações. O tribunal dos EUA faz o que os tribunais do Brasil nunca conseguiram fazer: colocar atrás das grades gente graúda do centenário futebol nacional. Por essas bandas, ainda há mandos e desmandos no esporte, de modo a ter atualmente nossos principais cartolas envolvidos em falcatruas, corrupção e enriquecimento ilícito. Carlos Arthur Nuzman, do COB, é investigado por, supostamente, ter comprado votos na escolha do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016. Ricardo Teixeira é investigado por corrupção e outros crimes. Ele foi presidente da CBF também. Marco Polo del Nero está banido do futebol pelos mesmos motivos. Outro que comandou a CBF. Ele jura que é inocente. Mas é fato que não arreda pé do Brasil com medo de ser preso por autoridades norte-americanas.

Nem mesmo a idade de Marin, 86 anos, foi empecilho para que o réu fosse absolvido. Errou tem de pagar. É a lei. Marin tentou apelar para sua frágil saúde, chorou no tribunal, tentou argumentar que pagava o pato por outros. Nada disso cegou a Justiça. Teve o confisco de R$ 13 milhões. E terá ainda de pagar multa de R$ 4,7 milhões. Certamente o dinheiro não será problema para o cartola. Vira exemplo para quem quer meter a mão no dinheiro.

Nós, pessoas do bem, sentimos quando somos acusados, quando cometemos erros e somos expostos à opinião pública, mesmo que sejam erros infinitivamente menores comparados aos cometidos por Marin. Muitas vezes nem dormimos direito por isso. Essa exposição deve doer mais do que tudo para o ex-presidente da CBF. A vergonha de uma condenação, de uma sentença atrás das grades aos 86 anos… quando deveria estar curtindo a vida com seus filhos, netos e bisnetos. Sua família terá de carregar isso para sempre, até sua morte ou ainda depois dela. Não deve haver sentimento pior do que esse. Certamente não tem dinheiro que pague ou valha tamanha humilhação.

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