Meio tarde para Blatter se arrepender da Copa no Brasil

Robson Morelli

17 de julho de 2013 | 21h20

Em suas declarações, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, bate e assopra no Brasil sobre a realização da Copa do Mundo nessas terras. Parece arrependido. Não tem mais certeza de que tenha sido uma boa escolha, embora admita que em 2007, quando o país foi esc0lhido, era a única solução. Ora. Por que mister Blatter mudou de ideia?

Ele diz que foi por causa das manifestações e protestos estourados pelas ruas durante a Copa das Confederações. O fato é que os organizadores da Copa nunca imaginaram que o povo pudesse ganhar as ruas e associar todos os problemas do país, da falta de estrutura básica para a população à corrupção no noticiário diariamente, com a competição esportiva.

Blatter não fez a leitura certa do que ocorreu no Brasil. Ele próprio viu que a seleção brasileira não sofreu qualquer arranhão, nem o futebol.  Se a discussão tramitasse somente na área desportiva, a Fifa não teria a menor dúvida de ter escolhido o lugar certo. Afinal, gostamos muito de futebol no Brasil. O problema é que uma Copa caminha em outras esferas e é por este quesito que o povo ganhou as ruas. Ganhou durante a Copa das Confederações e deverá ganhar muito provavelmente no Mundial.

É muitas gastança sem explicação e com explicação que não cola mais. Como uns levantam um estádio com R$ 400 mil e outros fazem a mesma coisa com R$ 1,2 bilhão? A diferença é gigantesca de uma obra para outra, de um estado para outro. É contra isso que a população se revolta. E parece que Blatter não entendeu isso. O Brasil não tem dono, ou melhor, seu dono são todos os brasileiros. Talvez depois de 22, a Fifa repense suas escolhas e dê prioridade ao lado esportivo apenas, às praças que já tenham estádios e infreaestrutura adequada para sua população. Talvez o processo deva ser inverso. Um país para se candidatar como sede deverá apresentar o que já tem pronto e não mais maquetes para consumir um mundo de dinheiro antes da realização da disputa.

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