Momento é para que parceiros do futebol mantenham seus compromissos e ajudem mais do que nunca os clubes

É hora de aparecer e não de se esconder atrás da cortina e deixar de apostar no seu produto; só assim o esporte brasileiro sairá da pandemia mais forte

Robson Morelli

24 de abril de 2020 | 15h00

A ideia de que os patrocinadores ganham muito com o futebol deve prevalecer nesse momento de crise e das partidas paralisadas. Quando a Parmalat entrou no Palmeiras, ninguém conhecia a marca. Quando o Banco Excel deu as mãos para o Corinthians, ninguém conhecia o banco. Quando a Crefisa apareceu, pouco se falava da empresa que empresta dinheiro a juros para quem quiser. Muitas outras marcas importantes e outras nem tanto assim beberam por anos da água limpa e cristalina do futebol, com seus jogadores de destaque, calendário anual e muita, muita, muita exposição de graça na mídia. Poucas dessas marcas pagam para aparacer na mídia, de modo a contar com a exposição sem custo para aparecer, crescer, vender e lucrar.

Partindo do pressuposto de os patrocinadores sempre ganharam com o futebol, não seria demais pedir agora que essas mesmas marcas se esforcem para ajudar o futebol a voltar forte. Como? Primeiramente honrando os acordos feitos, podendo até renegociar o que se pode negociar, como o prazo do contrato. Esse acordo por ser esticado sem custos. Se a empresa paga por um ano R$ 1 milhão por mês, que continue pagando até dezembro e depois ganhe mais alguns meses no ano subsequente de exposição de graça, com placas nos estádios, em camisas de treinos, com jogos na TV ou mesmo amistosos. É preciso encontrar as brechas. É possível.

Esse voto de confiança deve ser baseado no que há assinado com os clubes e também na lisura dos dirigentes e de uma total transparência das movimentações das contas. Esse ponto é muito importante. Se os cartolas fossem gente confiável e trabalhassem com mais transparência, os patrocinadores teriam mais segurança para apostar. Ocorre que o mercado do futebol ainda carrega muitos vícios dos tempos em que era amador, das rendas que desapareciam, dos acordos fechados na calada da noite, sem registros, ou ainda das transações ilícitas e sem rastros.

Vale lembrar que de 2015 para cá, o futebol passou por uma avalanche de denúncias, prisões, intrigas e confissões de muitos cartolas que se achavam intocáveis. Não podemos perder isso de vista. O Brasil teve alguns presos e outros que se entregaram. Ainda existe muita desconfiança dos dirigentes, do ganho fácil, do mandato entregue ao subsequente sem qualquer responsabilidade. Esse período deve servir de aprendizado para todos. Não há um único clube no Brasil com dinheiro no cofre para se sustentar por alguns meses. Isso é uma gestão ruim. E os patrocinadores não querem entregar seu dinheiro para gestores ruins.

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