Morte de fundador da Mancha vai deflagrar onda de violência em São Paulo

Não é comum às organizadas baixar a porta de suas sedes

Robson Morelli

03 de março de 2017 | 16h16

A morte do palmeirense Moacir Bianchi, de 48 anos e um dos fundadores da Mancha Verde, com 16 tiros, em emboscada desleal e covarde, não ficará sem retaliação por parte dos próprios seguidores da uniformizada. É sabido isso nas alamedas e ruas ao redor do Allianz Parque. Paulo Serdan, outro importante nome da torcida palmeirense, escreveu nas redes sociais: “Nasce um mártir”.  Tem sido assim nessa briga sem fim entre torcedores organizados. Começou com a rivalidade entre bandeiras diferentes, Corinthians e Palmeiras, Palmeiras e Santos, Santos e São Paulo e assim sucessivamente. Agora, as rixas e brigas por poder estão dentro das próprias facções.

Um dos caminhos da investigação vai nesse sentido, de brigas internas dentro da Mancha Verde por cargo e poder. Outra vertente, comentada de forma não oficial, diz respeito à presença de facções criminosas querendo “mandar” nas agremiações. Bianchi era um dos fundadores da torcida e não aceitava esse tipo de interferência. Há mais de duas semanas a torcida uniformizada do Palmeiras enfrenta esse tipo de encrenca. Pessoas correndo de um lado para outro na sede, em frente ao Allianz Parque, passou a ser corriqueiro à luz do dia. Na quarta-feira, aconteceu à noite, com a presença de carros de polícia.

O fechamento da Mancha sem data para reabrir demonstra a fragilidade da organizada nesse momento, a falta de um caminho claro após a morte do seu fundador, a preparação para novos atos. Esse expediente de baixar as portas não é comum. Aliás, é o contrário do que geralmente acontece, sempre em demonstração de força em casos complicados. Mesmo quando o Ministério Público ‘atacou’ as organizadas, o que elas fizeram foi mudar de nome (Mancha Alviverde) sem se desfazer de suas atividades. Isso também mostra, em princípio, que o problema desta vez é mais grave do que se pode imaginar. A Mancha, ou qualquer outra torcida organizada, não recua.

Lembro-me das festas linfas que se fazia nos estádios, com bandeiras e cantos, com alegria. Tenho saudades desse tempo. Hoje, vivemos os clássicos com torcida única.

A polícia de São Paulo está atenta a todas as movimentações e ligada aos fotos sobre essa morte, apurando e tentando entender o que se passa. Ouvindo gente. Esse assunto não acaba no velório e sepultamento de Moacir Bianchi.

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