Não há alegria num jogo sem torcida. Mas a punição era preciso

Não há alegria num jogo sem torcida. Mas a punição era preciso

Robson Morelli

27 de fevereiro de 2013 | 20h05

A alegria do futebol não combina com jogos sem torcida. Tampouco a emoção das belas jogadas. Um drible ou um gol só é eternizado porque as pessoas não se esquecem dele, porque a ginga ou a rede balançando provoca sentimentos imediatos, e dos mais variados. Aplausos, sorrisos, lágrimas. A expressão ‘Aguenta, coração!’, de mestre Fiori Gigliotti, traduz esse sentimento em sua essência. Por isso, é claro que é triste ver um  jogo sem a manifestação da arquibancada, como esse Corinthians e Millonarios, no Pacaembu.

Ocorre que a decisão da Conmebol de fechar os portões para todos os jogos do Corinthians na Libertadores tinha de ser tomada. Era questão de honra. O Corinthians paga pela desorganização da competição, uma disputa em que se tem a sensação de ser ‘um vale tudo ‘ do futebol das Américas, com regras que no subconsciente dos participantes, clubes, dirigentes e torcida, não precisam necessariamente ser cumpridas.

O Corinthians merece pagar o pato porque um torcedor do seu time atirou um sinalizador que matou um menor na Bolívia, mas não pode ser o único. Em praticamente todas as partidas da Libertadores há ocorrências fora do campo, confusões, brigas e enfrentamentos de torcidas com a polícia. Isso sem falar das malandragens (alguns podem chamar de desonestidade e falta de jogo limpo) de alguns dirigentes, inclusive brasileiros, de impedir que adversários se aqueçam no gramado, que tomem banhos com água quente ou que se troquem em vestiários com cheiro de tinta fresca. Acham que vão ganhar o jogo dessa maneira.

O assunto ainda vai dar muito pano para manga, uma vez que já há torcedores corintianos que compraram ingressos para um dos três jogos do time na fase de grupos da Libertadores com liminares nas mãos dando a eles o direito de entrar no estádio. Um proíbe. Outro libera. E isso só contribui para aumentar a desorganização do torneio e a falta de mando dos homens da Conmebol que deveriam comandar. Não é de hoje. Ainda assim, o tema não pode morrer na punição imposta ao Corinthians. Digo que se a Conmebol quiser mesmo tomar as rédeas da competição e levar adiante sua intenção de passar a Libertadores a limpo, fazendo da disputa mais importante do continente um exemplo de campeonato bem organizado, muitas outras medidas devem ser tomadas. Imediatamente.

Todo mundo viu, por exemplo, a confusão ocorrida durante a partida entre Penãrol e Vélez, também pela Libertadores. Isso precisa acabar, mesmo se para isso a Conmebol tenha de entregar seu campeonato mais charmoso para clubes convidados.

E digo mais. A Fifa deve entrar nessa discussão também, oferecer ajuda, ajudar a punir os responsáveis, desfiliar clubes por uma, duas, três temporadas se for o caso. O que não pode acontecer é o tempo passar e tudo continuar da mesma maneira, como é há anos.

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