Não havia mais clima para Diniz e sua comissão técnica, inclusive Raí, permanecerem no São Paulo

Não havia mais clima para Diniz e sua comissão técnica, inclusive Raí, permanecerem no São Paulo

Presidente vai ter de assumir seu papel em toda essa transição, difícil, mas necessário. Não cabem mais puxadinhos no futebol. É preciso baixar as portas e fechar para balanço

Robson Morelli

01 de fevereiro de 2021 | 17h15

A decisão de mexer na comissão técnica já não era sem tempo. Fernando Diniz ficou desgastado no cargo, perdeu o comando, viu alguns de seus parceiros do futebol ir embora, como o gerente Pássaro, e ficou sem saber o que fazer com um elenco que não tem maturidade para decidir. O time não é ruim, mas precisa melhorar. O presidente Julio Casares, com a demissão de Diniz e Raí, começa efetivamente sua gestão. Tem de fechar para balanço e começar do zero.

Foto: SPFC

O elenco passará por uma reavaliação completa. Medalhões e bagrinhos deixarão o clube. Uma nova folha de pagamento será montado com menos gastos e loucuras. Casares está preparado para fazer o que tem de ser feito, o que se espera de um presidente novo. Ninguém muda para deixar como está. Vai precisar de coragem. Sabe também que o novo São Paulo não é para 2021. Se acontecer, ótimo. Mas não é. Não quer sonhar antes da hora. Vai formar um elenco e tentar ir melhorando ao longo dos meses e temporadas até chegar num time pronto para ganhar.

Não é de um dia para a noite. Ele sabe disso. Não vai fazer puxadinhos no Morumbi nem no grupo. A hora é de limpar e não de empurrar a sujeira para debaixo do tapete. Se acontecer, já sabemos onde vai dar. Liberar atletas não quer dizer condená-los. Apenas informar que o ciclo acabou, desejar boa sorte e trabalhar numa nova equipe.

Muricy Ramalho será importante nessa transição. Escolher o treinador certo também. O diretor de futebol vai trabalhar quieto, não será amigo dos jogadores, mas vai entender a condição de cada um. Jogadores da base também não serão mais vendidos sem antes dar alguma coisa em campo para o time. Em troca da formação. O dinheiro, que ninguém vê, vai ter de vir de outras fontes num primeiro momento, a não ser para aqueles que serão liberados.

Um novo São Paulo nasce nesta segunda-feira.

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