Não se perde por 3 a 0 numa semifinal impunemente, como ocorreu com o Palmeiras

Ponte Preta joga muito em Campinas e afunda o Palmeiras no Paulistão

Robson Morelli

16 de abril de 2017 | 20h53

A surra que o Palmeiras sofreu da Ponte Preta vai ter seus reflexos ao longo da semana, talvez da temporada. Não se perde numa semifinal de campeonato por 3 a 0 impunemente, sobretudo quando se é favorito. Temo que a responsabilidade recaia somente nas costas do treinador Eduardo Baptista, que fez pouco, é verdade, em Campinas, mas que também não recebeu respaldo de nenhum de seus jogadores. O Palmeiras fez a pior apresentação do ano, frágil na marcação, sem cobertura nas laterais, com um meio de campo pesado e pouquíssimo faro de gol. Nem Prass funcionou no Moisés Lucarelli. Tirando Edu Dracena e Felipe Melo no segundo tempo, não sobrou nada. Eduardo Baptista tem de assumir parte da apresentação ruim desta tarde. Não percebeu, talvez, que seus jogadores se achavam superiores aos da Ponte, que a classificação fosse barbada e que não havia ninguém preocupado no clube paulista depois da épica vitória sobre o Peñarol pela Libertadores. Não percebeu uma morte anunciada no seu próprio vestiário.

Sim, Eduardo Baptista não tem estofo ainda para comandar esse Palmeiras que enche o torcedor de esperança. Suas alterações não deram certo em Campinas. Escolher Alecsandro para acertar o ataque e oferecer mais perigo a um adversário que tinha um setor defensivo extremamente bem montado, foi um gesto de desespero, de pouca, ou nenhuma, intuição. Nem mesmo Róger Guedes conseguiu repetir as boas atuações de partidas anteriores. Estava perdido em meio à marcação dupla ou tripla pela direita. O treinador poderia ter escolhido melhor. Inventado. Fez exatamente o que sempre faz. Era para mais.

Mas também é duro condenar um treinador em meio à temporada. Quase um erro de gestão, embora essas coisas não existam no futebol. Pelo menos não na maioria dos clubes.  Recentemente, visitei as novas instalações na Academia do Palmeiras. Ouvi dos dirigentes de futebol horrores (positivamente) na forma de trabalhar e de se organizar no clube. A pregação era que nada ocorre por acaso ou sem avaliação, muito menos que decisões sejam tomadas no calor das vitórias e das derrotas. Alexandre Matos e seus pares deram a entender que tudo no Palmeiras é pensado a longo prazo. Fiquei com a impressão, além do tom arrogante e disciplinador do palestrante, de que o treinador está garantido até o fim do seu contrato. Mas como essa surra não estava nos planos, e toda derrota e eliminação têm sua punição, prefiro esperar para ver o que vai acontecer caso o Palmeiras não consiga os três gols na partida da volta, sábado, que levaria a decisão do Paulista para os pênaltis.

Anunciar os erros do Palmeiras não explica a derrota para a Ponte. Seria injusto apontar apenas o que não deu certo de um lado sem ressaltar tudo o que deu certo do outro. E, desse modo, destaco a apresentação impecável do time de Campinas, em todos os seus setores, principalmente no ataque. A Ponte engoliu o Palmeiras com a primeira mordida aos 38 segundos de bola rolando. Jogou muito. E ainda poderia ter feito um quarto gol de pênalti, porque foi pênalti de Prass em Pottker no segundo tempo. De qualquer forma, a lambada já estava dada. A semana não será fácil pelos lados do Palmeiras. Sua maior aposta deve estar na torcida e na força do seu estádio. Essa combinação poderá dar nova luz ao time, desfigurado após os 3 a 0.

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