Neymar, entre o céu e o inferno na seleção brasileira

Neymar, entre o céu e o inferno na seleção brasileira

Craque deixa o time de Dunga na mão na Copa América

Robson Morelli

18 de junho de 2015 | 10h06

Neymar vive na Copa América a glória de carregar a seleção e o dissabor de afundá-la. Contra o Peru, o craque do Barcelona resgatou nos torcedores o sentimento da ‘neymardependência’, dada sua condição técnica, gols e passes para gols. Diante da Colômbia, seus nervos e falta de concentração impediram uma boa atuação. Pior que isso: ele arrumou confusão com os rivais, ou se deixou envolver por ela, e acabou expulso depois dos 90 minutos, já se dirigindo para o vestiário após a derrota por 1 a 0.

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Neymar é o único craque da seleção brasileira. Sem ele na Copa do Mundo, o Brasil foi presa fácil para a Alemanha e Holanda. Agora, a história pode se repetir, já que o atacante, terceiro na lista dos melhores do mundo na opinião de muita gente, não estará em campo contra a Venezuela e, se o Brasil se classificar para as quartas, talvez também não esteja em campo – ele será julgado nesta quinta pela Conmebol.

Neymar é o típico jogador que dança conforme a música, a sua música. Se tudo está bem, ele joga solto e livre, faz em campo o que todos gostamos de ver. Se alguma coisa o incomoda, dentro ou fora das quatro linhas, ele se perde. Nesta quarta, antes do jogo, certamente Neymar acompanhou as notícias dando conta de um novo processo na Espanha em que ele e seu pai são arrolados por causa da sua transação do Santos para o Barcelona. Há diferenças de valores declarados no negócio. Isso deve ter tirado seu chão. “Não dá para separar o pessoal do profissional”, disse Dunga, para explicar o comportamento do seu melhor jogador.

Neymar também não sabe conviver com o fracasso, com as derrotas, com as provocações dos adversários, com as faltas excessivas, com as jogadas que não dão certo. Tudo isso o faz virar ‘bicho’. Já contra o Peru, ele atritou demais com o juiz, repetindo a explosão diante dos colombianos. Esse é um problema que ele terá de resolver sozinho. Já está muito mais maduro do que antes, da primeira vez em que peitou Dorival Jr nos tempos dos Santos, quando Renê Simões cunhou a frase “estamos criando um monstro”.

O atacante do Brasil não é esse monstro, mas tem dando demonstrações de desequilíbrio em algumas partidas. Todo mundo o aplaude e se sente orgulhoso de seu trabalho quando faz o que mais sabe fazer: jogar. Mas também todos colocam a barba de molho quando ele se comporta de modo intempestiva, como foi diante da Colômbia, cheio de razão, provocando, revidando, peitando os rivais e novamente o árbitro. “Eu assumo toda a responsabilidade do que fiz. Não joguei nada, mas confio nos meus companheiros”, disse.

O colombiano Faustino Asprilla, que jogou com Felipão no Palmeiras e foi campeão da Libertadores em 1999, escreveu nas redes sociais que Neymar “é uma mentira”. É a sua opinião. O fato é que o craque brasileiro precisa repensar algumas atitudes quando as coisas não vão como ele quer em campo.

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