Neymar está diante da maior chance de sua carreira desde que deixou o Santos

Neymar está diante da maior chance de sua carreira desde que deixou o Santos

PSG tem 90 minutos para superar o Leipzig na semifinal da Liga dos Campeões para se credenciar para a final da vida do brasileiro

Robson Morelli

18 de agosto de 2020 | 06h00

Neymar tem 90 minutos para provar muitas coisas em sua carreira nesta terça-feira. A primeira delas é mostrar que o dono do PSG estava certo em contratá-lo para que o time francês pudesse chegar a uma decisão de Liga dos Campeões, com boas chances de ganhar. Basta passar pelo Leipzig, da Alemanha. Não será fácil, mas nada parece fácil na vida esportiva de Neymar desde que ele deixou o Barcelona e seus colegas Messi e Suárez.

Esses 90 minutos podem mudar a situação do atacante brasileiro na Europa. Se carregar seu Paris nas costas como fez na partida anterior diante da Atalanta e garantir a final, ele entrará muto forte para ser eleito o melhor jogador da Fifa. O Melhor do Mundo, que se propôs a ser quando saiu da sombra de Messi e para onde poderá voltar nessa propensa reformulação do time catalão. Com Messi em baixa num Barça que ainda junta os cacos de uma temporada nacional perdida para o Real Madrid e da humilhação sofrida diante do Bayern de Munique e com Cristiano Ronaldo longe de ser aquele protagonista que era no time madrilenho, Neymar pode ser apontado como o melhor de todos nesta temporada esquisita com a pandemia da covid-19.

O único senão é perder o prêmio para um desses jogadores mais coletivos dos outros times que podem chegar à final contra ele. No individual, não tem para ninguém. Nem o francês Mbappé parece capaz de enfrentar o brasileiro, muito mais decisivo. São quatro títulos nacionais pelo PSG e a possibilidade de ganhar a Europa. Quem ajuda Neymar em sua caminhada certamente tem apontado esse cenário para ele. Dois jogos o separam do estrelato, da maioridade, das melhores linhas de sua história. Não é ano de Copa do Mundo, portanto, não há competição mais importante do que a Liga dos Campeões. Neymar joga pelo PSG e por ele próprio. Sabe disso.

Ele tem a chance de resgatar ainda a presença brasileira nos holofotes do esporte mundial. Kaká foi o último a ganhar o prêmio da Fifa, em 2007. Antes disso, ano sim e ano também o Melhor do Mundo falava português e tinha crescido por essas bandas da América do Sul. A conquista, se ela acontecer, não apaga o que Neymar deixou de fazer nas temporadas anteriores, seus fracassos e confusões. O que está feito, está feito. Mas ela tem a condição de levar o brasileiro a um lugar onde ele nunca esteve, a saborear um gostinho que ele ainda não sentiu, nem mesmo quando esteve no Barcelona, quando dividia as honras com Messi, que sempre ficava com a maior fatia do bolo.

Neymar só precisa jogar futebol. Futebol sério e insistente. Fazer o que faz há anos e o que o levou para a Europa. Sem frescura. Sem pensar em dinheiro. Comprometido. Profissional. Neymar tem de ser o cara que orgulha seus compatriotas cada vez que entra em campo. Essa partida contra o Leipzig pode ser um marco tanto para o PSG quanto para seu principal jogador.

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