Neymar não é um mito. É de carne e osso. Habilidoso, mas de carne e osso

Neymar não é um mito. É de carne e osso. Habilidoso, mas de carne e osso

Robson Morelli

13 de setembro de 2010 | 10h40

Neymar precisa amadurecer logo

Neymar precisa amadurecer logo

O problema de Neymar é que ele pensar ser quem não é ainda: um mito – só para usar o adjetivo pronunciado pelo presidente do Santos, Luís Álvaro, quando conseguiu demover o atacante de sua disposição de ir para a Inglaterra jogar no Chelsea.
Quando havia outros como ele no elenco, casos de Ganso (machucado) e Robinho (no Milan), o menino chamava atenção sem monopolizá-la. Agora, sem seus principais amigos, acha que o Santos e todos os outros times devem se curvar aos seus caprichos, ao seu futebol.
Nada contra, que fique claro nessas linhas, seu talento e sua facilidade de humilhar os marcadores. Azar de quem nasceu perna de pau. É lindo ver Neymar, ou qualquer outro, dar um drible, fazer uma jogada bonita.
Ocorre que o craquinho da Vila, talvez influenciado por esses que andam falando em sua cabeça, como próprio Dorival Júnior, não aceita que o marquem, que cheguem junto dele com falta se for preciso. O juiz está lá para expulsar quem passar dos limites. Se isso não acontecer, Neymar terá de se sustentar em campo, sem se irritar, sem partir para a briga só porque houve provocações.
A malandragem, digo, nasceu com o futebol. Está nos atacantes, mas também nos marcadores. Vou ser sempre contrário aos brucutus e caçadores de canelas do futebol, mas também não me rendo a atacantes chorões. Kléber e Valdivia, ambos do Palmeiras, apanham durante 90 minutos. Não desistem de uma única jogada nem vão cobrar seus algozes ao fim da disputa. O que falta a Neymar é realidade.
É bom também que essa gente que cerca o jogador pare de passar a mão em sua cabeça, indicando a ele essa condição furada de mito. Não é. Precisa comer muito arroz com feijão para ser.

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