Neymar segue os caminhos de Messi, inclusive na seleção

Meia argentina é cobrado por não mostrar na Argentina todo o repertório visto pelos torcedores do Barcelona. Neymar parece ter pego esse enredo e levado para o Brasil

Robson Morelli

15 Novembro 2015 | 21h00

Messi parece exemplo para Neymar em todos os sentidos. Muito antes de se acertar com o Barcelona, o meia argentino já influenciava o brasileiro com suas jogadas geniais no clube catalão. Agora que estão juntos, dividindo vestiário e a atenção dos torcedores do mundo inteiro, inclusive dos brasileiros, nota-se muita semelhança entre ambos, mas também algumas dificuldades. Refiro-me ao fato de os dois craques estarem pressionados em suas respectivas seleções. Toda vida, Messi foi cobrado por não apresentar aos argentinos as mesmas boas atuações do Barcelona, no Campeonato Espanhol e Liga dos Campeões, principalmente. Esse fardo pesa nas costas do meia há anos, de modo a amargar, ele e sua geração, a secura das conquistas com a Argentina.

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Por tudo o que Messi representa no futebol, a Argentina bem que poderia ter conquistado títulos importantes com ele. Recentemente, ficou em segundo lugar na Copa do Mundo e na Copa América. Duas derrapadas a mais na conta do craque.

Neymar já encantou os brasileiros com algumas apresentações na seleção, principalmente com gols bonitos e importantes, em amistosos e também jogos oficiais. Neymar brilhou muito na Copa das Confederações em 2013, no Brasil, em preparação para o Mundial de 2014. Seus números no time nacional são encantadores, da mesma forma como a quantidade de gols. Ele é o quinto maior artilheiro da seleção, com 46 gols em seus 23 anos. Pelé lidera a lista, com 95, seguido por Zico (66), Ronaldo (62) e Romário (55).

Ocorre que Neymar ainda deve boas apresentações no Brasil em jogos importantes e campeonatos duros, como as Eliminatórias da Copa da Rússia, ótima chance de ele assumir seu lugar. Esperava-se, sem rodeios, muito mais dele contra a Argentina, uma vez que se criou, por todos, inclusive pelo técnico Dunga, muita expectativa em sua volta após suspensão – ele não jogou contra Chile e Venezuela nas suas primeiras partidas do torneio. Essa expectativa aumentou, também, depois daquele golaço que fez no Campeonato Espanhol às vésperas de se apresentar. Mas parece que até nisso Neymar copia Messi, ou segue seus passos para um dia ser o melhor do mundo com seu clube, o Barcelona. Refiro-me ao fardo de ter de carregar a seleção e de sempre ter de jogar bem, porque é dele que se espera mais. Essa é a sina do craque, entre a festa das conquistas e a solidão do fracasso. Ninguém vai cobrar Hulk ou Oscar para ser esse cara. No máximo, eles vão ajudar a carregar o fardo. Com Neymar é diferente. Ele é o cara. É dele que se espera genialidade, contra o Peru, nesta terça, na Fonte Nova, mas também diante dos argentinos, colombianos, equatorianos…

Os argentinos ainda esperam por apresentações de gala de Messi e alguns títulos importantes. Os brasileiros começam a ficar com a pulga atrás da orelha sobre Neymar na seleção. Ambos são geniais no Barcelona. Só precisam ser com mais regularidade em suas respectivas seleções também, como foi Neymar na Copa das Confederações. Neymar não pode virar um jogador de clube.