Neymar trabalha em duas frentes, se livrar da denúncia de estupro no Brasil e deixar o PSG

Novos depoimentos do craque não estão descartados em São Paulo, inclusive frente a frente com Najila

Robson Morelli

26 de junho de 2019 | 18h37

Caso Neymar… Neymar continua enroscado na Justiça e no futebol. Seu corte da seleção brasileira por lesão o tirou do noticiário tão logo a Copa América começou, e mais ainda quando ele e seu estafe soltaram o interesse de romper contrato com o PSG ainda faltando três anos para o término do vínculo. Tudo ainda é meio nebuloso no que diz respeito aos temas envolvendo o jogador. Algumas pessoas, por exemplo, dizem com todas as letras que Neymar poderia se tratar do seu entorse no tornozelo na seleção, de modo a ser aproveitado nas fases mais agudas da Copa América, e não ser cortado. Nunca saberemos disso. Mas é fato que sem Neymar, a CBF e a seleção tiraram um fardo das costas.

Depoimentos em andamento… Na esfera criminal, continuam os depoimentos dos envolvidos na acusação de estupro que a modelo Najila Trindade fez contra o jogador. Nesta quarta-feira foi a vez de o ginecologista dar seu depoimento. Pode ser peça-chave para elucidar alguns pontos importantes do caso. Neymar jura que não cometeu estupro e só teria batido na moça no ato sexual porque ela pediu. A modelo nega essa versão e mantém sua acusação. As provas sumiram com o tablet e o celular de Najila. Advogados da acusação foram trocados, mas ainda existe o andamento do processo. Ou seja, Neymar não está livre. Não se sabe nem se poderá deixar o Brasil para tratar de outro assunto, sua possível transferência do PSG.

Transferência de novo… Neymar soltou essa tão logo o caso do estupro ganhou força. Mas nada também está encaminhado nesse sentido. Ele teria falado para dirigentes do Barcelona que errou ao deixar o clube catalão. Queria voltar. Óbvio, que a turma do PSG que bancou a maior contratação da Europa (222 milhões de euros) não gostou da “traição” do atacante brasileiro. Não pretende abrir mão do atleta tão facilmente. Nem penso que o PSG esteja pensando somente em dinheiro. Há muito mais nesta possível negociação. Há arestas que não foram aparadas, pode haver rancor (muito comum no futebol) e dificuldade de dar ao rival um jogador que lhe pertence.

PSG tem o contrato… Então, embora haja conversas nesse sentido, não será fácil para Neymar mudar de ares como ele quer. Terá de ser como o PSG deseja. Ainda acredito que o PSG é o dono da negociação porque tem o contrato do jogador assinado, sem multa rescisória. Ou seja, o PSG pode pedir o que quer. Já mandou 300 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão). Muito mais dinheiro do que pagou.

Real Madrid… Há uma terceira parte nesse imbróglio todo: a possibilidade de o Real Madrid aparecer no caso. Lá atrás, o clube merengue já tinha a intenção de contar com Neymar. Pagaria o dinheiro que o PSG pede. E ainda teria outros para colocar na negociação. O Barcelona até concordaria em pagar 200 milhões de euros, mas não é esse o pedido do clube francês. Há ainda a presença de Griezmann, apalavrado por 120 milhões de euros, e cuja ação deve ser concretizada dia 1º de julho, quando o jogador ficará livre do Atlético de Madri.

Um jogador sem bandeira… O fato é que o caso Neymar está longe de acabar. E ele perde a chance nesse momento de fazer o que mais gosta: defender a seleção, agora na Copa América, e ter sua imagem identificada com um clube grande da Europa. Não se sabe qual é a cor de Neymar nesse momento nem sua bandeira. Isso é ruim para ele e para o futebol brasileiro.

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