Ninguém nunca falou que seria sem sofrimento ganhar a Copa no Brasil. E ainda não ganhou nada

Robson Morelli

28 de junho de 2014 | 19h08

O  Brasil ainda não ganhou nada, mas já está entre as oito melhores seleções da Copa, ainda muito distante do segundo lugar do Mundial de 1950, mas vivo e cada vez mais na condição de favorito. Se o caminho para o hexa ainda está longe, a cota de sofrimento cobrada do povo brasileiro até agora é altíssima. Quanta dor e alegria o torcedor deixou no Mineirão. Que angustia não ver a seleção jogar bem, rezar para que aquela bola de Pinilla na prorrogação não entrasse – acertou o travessão – e segurar a respiração nas cobranças de pênaltis.

Foi muito sofrimento num dia em que Neymar, o craque do time e dos momentos-chave, não estava lá essas coisas. Pudera. Apanhou como um condenado, em faltas duras e até desleais. E nem podia reclamar porque está pendurado com um cartão amarelo – na Copa, bastam dois para o jogador ser suspenso. Sem sua maior inspiração, o Brasil teve tremendas dificuldades no ataque e no meio de campo. A movimentação dos chilenos, puxadas por Alexis Sánchez, a quem chamei de diablo na crônica do Estadão, foi constante, bagunçando a marcação brasileira e seu posicionamento.

Hulk, Oscar, Fred e Jô não jogaram bem nem no tempo normal nem na prorrogação. Hulk pediu desculpas pelos lances capitais que quase custaram a eliminação do Brasil da Copa: uma bola entregue para o gol do Chile, de Sánchez, e o pênalti desperdiçado. Duas lambanças. O sofrimento há de servir para Felipão continuar arrumando o time visando as quartas de final, contra a Colômbia, sexta-feira, novamente em Fortaleza. No fim, com sofrimento até o último instante nas cobranças de pênaltis, o grito de alegria.

FANTASMA DE 1950
O Uruguai se juntou neste sábado às seleções eliminadas na Copa do Mundo, fazendo a alegria de muitos brasileiros que, como eu, não queria o carrasco de 1950 nos assombrando na competição, por tudo o que nos fez sofrer nesses 64 anos, pela tradição de sua camisa e pela boa seleção que tem. Tchau, Uruguai!

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