Ninguém respeita mais contrato no futebol brasileiro, e isso nada tem a ver com oportunidade de mercado de trabalho

Ninguém respeita mais contrato no futebol brasileiro, e isso nada tem a ver com oportunidade de mercado de trabalho

Jorge Jesus pode rasgar nesta quarta documento que assinou com o Flamengo e o mesmo pode acontecer com Sampaoli no Atlético-MG, que deixaria Minas para ir ao Rio

Robson Morelli

15 de julho de 2020 | 10h30

Jorge Jesus deve se despedir nesta quarta-feira do Flamengo após ser seduzido pelo Benfica, clube que conhece bem de sua terra. Jesus tem contrato com o Flamengo. Para seu lugar, o time do Rio já pensa em Sampaoli, que tem vínculo com o Atlético-MG, mas que, segundo a própria diretoria do time mineiro, poderia trocar de camisa. Oportunidade de mercado. Penso diferente. Penso que os profissionais do futebol não respeitam mais os contratos. Ficam dias negociando as bases (Estadão mostrou em reportagem como isso se dá) para resgar a papelada na primeira investida mais atraente. Ando defendendo as multas rescisórias, mas essas também são rasgadas e resolvidas com acertos numa mesa ou na Justiça, anos mais tarde. É um verdadeiro desrespeito às leis. Cada um faz o que quer.

Jorge Jesus tem contrato com o Flamengo e um trabalho a ser desenvolvido. Isso foi discutido. Quando se tem um planejamento do tamanho do que se impõe ao Flamengo nesta temporada, todos os contratados devem manter suas posições até o fim. Sou dessa opinião. Respeito e comprometimento. Mas a maioria age como bandidos livres, fazendo o que bem entendem com a profissão. Se Jesus confirmar a saída, como noticiado em Portugal, Sampaoli poderá fazer o mesmo: largar Minas e se mudar para o Rio. Todo o projeto do Atlético iria para a lata do lixo. Respeito zero com o clube e as pessoas. Tomara não aconteça. Mas isso é comum no futebol brasileiro. Ninguém mais respeita o combinado. A assinatura no papel não vale de nada, tampouco o acerto no fio do bigode.

Os argumentos de quem toma essa decisão são os mais variados. Saudade da terra. Mais dinheiro. Projeto melhor. Melhores jogadores e elenco. Direito de mercado.

Os clubes e seus presidentes contribuem para isso quando fazem dos contratos algo que se desmancha no ar, demitem treinadores recém-contratados sem assumir seus erros, jogando toda a responsabilidade da troca no trabalho do profissional. Ele não ganhou jogos. Ele não se entrosou com o elenco. E por ai vai. Não há nenhuma lei no Brasil, nas competições, que seguram jogadores e técnicos em seus cargos durante uma temporada. Poderia ter janelas de trocas. Janeiro e fevereiro e julho. Não mais. Enfim, se as trocas se confirmarem, duvido que Flamengo e Atlético-MG tenham rendimento alto no ano. O trabalho desses times vai voltar para a estaca zero.

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