No caminho de volta para o Brasil

No caminho de volta para o Brasil

Robson Morelli

19 de dezembro de 2010 | 16h58

A onda de repatriar jogador é grande. E vai virar tsunami no Brasil. Ronaldo e Roberto Carlos pavimentaram o caminho de volta desses jogadores que viam somente na Europa o Eldorado do futebol. Com a Europa em frangalhos financeiramente e o Brasil nadando de braçadas nesse mesmo quesito (lembrando, sempre, sua condição de emergente), os atletas brasileiros já perceberam que sair pode não ser a melhor opção.

Alguns clubes também já começaram a acenar com a possibilidade de pagar salários competitivos, igual ou bem pouco abaixo do que oferecem os europeus. Há ainda, por parte dos patrocinadores, uma série de combinações de marketing capaz de engordar a conta do jogador aqui no Brasil. Pergunte a Ronaldo ou a Roberto Carlos se eles estão infelizes no Corinthians?

O Santos segurou Neymar e Ganso e ainda seduziu Elano a voltar. Os próximos da vez são Adriano, que já estava no Flamengo antes de se mudar para Roma, e Ronaldinho Gaúcho, do Milan. Lembro ainda do período nesta mesma temporada em que Robinho defendeu as cores do Santos, time que o lançou. Fred e Deco também tomaram o avião de volta e desembarcaram no Rio em 2010 para ser campeões brasileiros com o Fluminense. 

Além da condição financeira mais compatível com os números da Europa, alguns jogadores voltam porque acreditam poder combinar o trabalho com as regalias de se viver no país de origem. Deco pensou dessa forma quando largou o Chelsea, da Inglaterra. Queria continuar jogando e desfrutar um pouco mais da vida no Brasil, e tudo o que ser rico significa para os ricos brasileiros.

Há ainda a fase ruim de alguns de nossos jogadores lá fora, claro. Adriano e Ronaldinho são dois exemplos disso. Já não enchem mais os olhos como enchiam na primeira transferência. E perdem espaço a cada dia. Os dois jogadores são reservas em seus clubes na Itália, e sem perspectiva no momento de mudar esse cenário. Começam então a pensar com mais carinho no retorno ao lar.

O bom é que eles ainda podem abrilhantar o futebol brasileiro por mais algumas temporadas, como Ronaldo fez nos dois últimos anos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.