No segundo mês do ano, descobre-se que está tudo errado no São Paulo

No segundo mês do ano, descobre-se que está tudo errado no São Paulo

Jogadores entregues e mal treinados, técnico bom na hora errada, diretoria fazendo política em jogo decisivo...

Robson Morelli

07 de fevereiro de 2019 | 10h14

O São Paulo parece ter voltado à estaca zero de 2018 para 2019, não conseguiu dar continuidade ao trabalho do ano passado e, mais uma vez, pode ficar pelo caminho na Libertadores. O time joga mal, é mal treinado e a diretoria faz política em pleno voo na Libertadores. Em fevereiro, no segundo mês do ano, já coleciona broncas dos torcedores e tenta encobrir os problemas em duas frentes manjadas: aumentar a pressão no treinador, André Jardine, e insistir em divulgar o interesse em novos jogadores – a bola da vez é Alexandre Pato. Tudo isso, na verdade, tem apenas uma finalidade: tirar o foco de um time que não dá liga, de uma comissão técnica fraca, de uma diretoria que parece não saber o que está fazendo e de atletas sem envolvimento.

Jardine desponta como o primeiro a pagar a conta pela derrota de 2 a 0 diante do Talleres em Córdoba, em jogo de pré-Libertadores, mesmo embora Raí tenha dito na Argentina que ele será mantido no cargo. O discurso do diretor de futebol é o mesmo feito em relação a treinadores anteriores para quem ele mesmo deu a notícia da demissão. Portanto, não vale muito. Infelizmente. O treinador já teve tempo para melhorar o grupo, ao menos fazer com que os atletas joguem mais, entendam sua maneira de pensar o futebol. O São Paulo faz todos os treinos fechados e quando o time joga para todos verem, não apresenta nada. Jardine é um bom treinador de base, mas não tem se mostrado um bom técnico para a equipe de cima.

A diretoria, como informado, levou mais cardeais para Córdoba do que jogadores, um verdadeiro trem da alegria em nome da “paz no Morumbi”. Foram 25 dirigentes e 22 atletas. Como fretou avião, foi convidando até preencher os lugares. Teve gente da situação e da oposição. Teve gente que condena a gestão do presidente Leco e que aperta sua mão pelo seu trabalho. A iniciativa até pode ser boa, mas pelo história do clube nos últimos anos, também deve ter armadilhas aí. Duvido que a comitiva voltou em comunhão após a derrota para o Talleres, mais um clube que conhecemos na América do Sul graças ao São Paulo.

O time agora precisa fazer três gols de diferença para obter a classificação para a outra partida mata-mata antes de chegar à fase de grupo da Libertadores. Três gols. Mais uma vez, dado o que tem acontecido com o São Paulo neste começo de ano, com derrotas para rivais mais bem ajeitados, a esperança do torcedor é pequena. Hernanes garantiu que o São Paulo passa em casa, mas ele disse isso com apenas uma certeza: seu time é melhor do que o adversário argentino. Talvez seja no papel. Talvez seja na folha de pagamento. Talvez seja na estrutura. Não foi no placar.

A bola está agora com os jogadores. Não é Jardine. Não é Raí. Não é a torcida. São os jogadores que terão de reverter este resultado, jogar mais bola, se concentrar no trabalho, treinar mais, se envolver mais, parar de brigar por posição. Pensar no São Paulo como um todo e não em partes, não no individual. O São Paulo precisa pulsar mais, ter mais sangue nos olhos, correr mais, se entregar mais, ser mais inteligente do que o rival. A eliminação prematura e diante de um oponente teoricamente mais fraco vai causar um inferno no Morumbi até o fim do ano.

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