No último ato, uma esperança para futebol vinda com os braços cruzados

Robson Morelli

07 de dezembro de 2015 | 12h03

O futebol brasileiro acordou na última rodada do Nacional, com aqueles 15 segundos em que todos os jogadores, liderados pelo Bom Senso FC, cruzaram os braços antes dos 10 jogos de encerramento da temporada. Foram 15 segundos rápidos para chegar a atrapalhar as partidas, mas que podem significar uma reforma gigantesca no comando do esporte nacional. No centro das reivindicações, a saída do presidente Marco Polo del Nero do comando da CBF de vez.

O dirigente, que já havia pulado fora de suas funções na Fifa, pediu licença de 150 dias do comando da CBF para o que ele chamou de ‘cuidar de sua defesa’ em relação às acusações em que poderá virar réu na justiça. Neste fim de temporada, parece claro que o futebol brasileiro está acuado e sem comando, que a CBF não sabe o que fazer e que seu presidente já não tem mais condições de liderar nem mesmo entre os seus. Del Nero também é alvo da CPI do Futebol, comandada pelo senador Romário, seu desafeto declarado.

A hora é de mudanças. Esse foi o sinal vindo dos campos. O Brasil perdeu mais de um anos após a surra sofrida da Alemanha por 7 a 1 na Copa do Mundo. De lá para cá, pioramos dentro e fora de campo. Nada foi feito de positivo. Essa mudança passa necessariamente por uma reformulação na CBF. Detalhe: não me refiro a uma troca simples de comando, talvez por indicação dos que estão pulando fora do barco nesse momento em que a água sobe pelo convés. É hora de uma tomada de comando, dos clubes e dos jogadores, dos homens de bens e honestos, dos profissionais que estejam a fim de construir um futebol brasileiro melhor, de rompimento com tudo o que está aí de errado. O que os jogadores fizeram ao cruzar os braços foi um pedido de socorro. Querem começar 2016 diferente.

Os Campeonato Estaduais já estão tentando fórmulas novas e posições mais duras contra quem sempre comendou o futebol regional. Rio e São Paulo tendem a romper com suas federações, ou negociar melhor e se fazer e sentir mais representados. Da mesma forma, a Liga Rio-Sul-Minas está nas ruas, como disse seu presidente Alexandre Kalil, ex-Atlético-MG. Imagino que depois dessa, desses 15 segundos de braços cruzados pedindo a cabeça de Del Nero, mais ações venham por aí.

Novas eleições, novo estatuto, novo comando. Tudo isso está na mesa. Esse foi o recado. O próximo passo, quem sabe, é recusar a seleção. Recentemente, na Venezuela, 15 jogadores também cruzaram os braços e disseram não aceitar mais convocações para as Eliminatórias enquanto o presidente da Federação de Futebol do país não pedir as contas. Imagina se isso acontecesse no Brasil? Nada contra Dunga e suas regras para se jogar no time nacional. Seria um gesto contra a CBF, que praticamente tem na seleção seu principal patrimônio. Imagina se um Neymar tomar essa atitude, dentro de tudo o que ele representa para o futebol brasileiro e mundial? O futebol brasileiro começa a respirar ares diferentes e mais puros com essas manifestações, o que nos faz pensar e acreditar num 2016 melhor para tidos, mas principalmente para o futebol.

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