Novas cenas de selvageria em nome do futebol correm o mundo

Robson Morelli

13 Novembro 2015 | 09h51

A cena registrada por uma câmera de um posto de gasolina conta mais um capítulo trágico do ódio que toma conta dos torcedores de futebol, quando dois rapazes covardemente agridem outros dois com socos e um pedaço de pau. Um dos agredidos não tem sequer chance de reação. Ao tomar a paulada na cabeça, cai no chão e ali fica até morrer no hospital. A polícia trabalha com a hipótese de rixa entre palmeirenses (os agressores) e santistas (os agredidos). Poderia ser o inverso ou rapazes de outras bandeiras.

Saiu do controle do contrato social em que vivemos, onde somos ‘obrigados’ a respeitar algumas regras naturais para a convivência na sociedade. Refiro-me às coisas corriqueiras do dia a dia. Essa turma do futebol que mata não respeitada nada disso. Rouba, agride e mata sem o menor pudor, sem sequer conhecer o ‘inimigo’. Vão matando indiscriminadamente de acordo com a tabela, com os confrontos dentro de campo. Tudo virou briga de torcida.

A CPI das Torcidas Organizadas em São Paulo trabalha sem sucesso para coibir isso. Outros órgãos já estiveram na mesma situação e nada conseguiram. As mortes em nome do futebol não param. Elas simplesmente dão tréguas e retomam depois de um tempo. Não há santos nessa história, mas há muitos ingênuos. Dos envolvidos com o assunto, ninguém faz nada. Os líderes das Organizadas são fracos e não conseguem controlar seus membros. Não servem para liderar nada, portanto. A não ser que as ordens partam deles próprios para as confusões e revides. A Polícia Militar trabalha, prende e volta a trabalhar e a prender os mesmos. Não dá conta. As instituições acima da PM devem ter coisas mais importantes para se preocupar. Levam o assunto em banho maria, como quase tudo nesse País.

Por fim, a CBF e a federações estaduais fingem que o assunto não é com elas. Temem punir clubes e instituições, e quase sempre apelam para os ganchos brandos, em dinheiro ou cestas básicas. E esperam o dia seguinte para tocarem o futebol brasileiro como se nada tivesse acontecido. É assim há anos, décadas. Em agosto, fez 20 anos que Marcio Gasparin morreu na briga campal do Pacaembu, que talvez tenha sido a primeira dessa grandeza por aqui. Das instituições arrolados no tema, tirando as Organizadas, que deveriam acabar, a CBF é a mais culpada por não fazer nada para limpar tudo isso.