O ‘agente Fifa’ deixa de existir nesse 1º de abril

O ‘agente Fifa’ deixa de existir nesse 1º de abril

Clubes e jogadores serão responsáveis pelas negociações. O atleta também não terá mais porcentagem de seu contrato

Robson Morelli

31 Março 2015 | 11h37

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A partir desse 1º de abril entra em vigor a lei que acaba com o trabalho do ‘agente-Fifa’, o empresário que é cadastrado na entidade máxima do futebol mundial para exercer a função de intermediário entre as partes, o clube e o jogador. No futebol brasileiro, toda e qualquer negociação passa pela mesa desse agente. De dez anos para cá, até mesmo os garotos das bases já começam nos times com um empresário ‘brigando’ por seus direitos, não dão um passo sem consultá-lo. E claro, sempre com a necessidade de receber comissões.

Uma das maiores confusões envolvendo agente, clube e jogador diz respeito à transferência de Neymar do Santos para o Barcelona. O pai do jogador e suas empresas, que trataram do assunto, são acusadas pela lei da Espanha de cobrar por fora. Os dirigentes do Barcelona são acusados de pagar por fora. A Fifa entende que situações dessa natureza vão acabar com o fim do agenciador. A partir de agora, o presidente Joseph Blatter lava as mãos sobre o assunto, e entrega as decisões e encaminhamentos  às Confederações locais de cada país filiado.

Acerta e erra ao mesmo tempo. Acerta em dar maior responsabilidade e, consequentemente, transparência aos clubes e jogadores na hora da negociação. Erra ao parar de acompanhar esse tipo de transação no futebol, de modo a não mais mediar possíveis problemas. A nova determinação diz que somente os clubes de futebol poderão ter direito aos direitos econômicos dos jogadores. Nem os próprios atletas poderão mais ter alguma porcentagem de seus contratos, como tornou-se comum no futebol brasileiro. O clube não tem mais dinheiro para oferecer ao atleta e passa então a dar a ele porcentagens de seu contrato de trabalho. Isso acaba, da mesma forma que acaba os direitos nas mãos de empresários e investidores. A Traffic chegou a ter no Brasil uma cesta de jogadores que ela repassava para times interessados com a finalidade de usar suas camisas como vitrines.

A partir de agora também está vetado que um clube proíba um jogador emprestado de enfrentá-lo, como ocorre com Alexandre Pato (foto) em relação ao Corinthians. O atacante tem contrato com o time de Parque São Jorge e está emprestado ao São Paulo. No acordo, há uma determinação que obriga Pato a ficar fora de todos os jogos entre as duas equipes. Isso acaba. Imagino que essa seja uma regra somente usada no futebol brasileiro. A Fifa determina ainda que o garoto menor de 18 anos faça contrato com seu time formador não mais por apenas três anos, mas até cinco anos. Isso dará sobretudo aos clubes mais prazo para ter o jogador sob suas ordens.

A CBF promete ficar atenta e agir rapidamente dentro de suas instituições quando confusões se formarem nas negociações de clubes e jogadores. Órgãos competentes serão acionados para analisar e julgar as pendências. Na prática, ninguém acredita que os agentes ‘morrerão’ de fato, porque eles continuarão a trabalhar com atletas, só que mais do que nunca na base da confiança.

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