O bando de loucos também quer entrar na Arena Corinthians

Robson Morelli

21 de maio de 2014 | 19h54

Nem bem abriu seus portões para sua gente e o Corinthians já começou a receber críticas sobre o preço dos ingressos praticados na nova Arena, em Itaquera. Os torcedores do time foram ao Parque São Jorge cobrar e dizer ao presidente Mário Gobbi que os preços estão pela hora da morte e não vão aceitar isso. Os valores praticados para a partida inaugural domingo passado, contra o Figueirense, variavam de R$ 50 a R$ 500, com 30% de desconto para os sócios-torcedores. Por esse preço, o corintiano não vai ao Itaquerão. Esse foi o recado das pessoas que bagunçaram o coreto no clube na noite de terça-feira. Pediram respeito.

Só para constar, a inauguração da Arena Corinthians carimbada pelo Figueirense, que ganhou de 1 a 0, teve público pagante de 36 mil pessoas. Os torcedores acostumados a carregar o Corinthians no colo debaixo de chuva ou sol já perceberam que ficarão do lado de fora do estádio caso o clube e os organizadores do novo estádio não baixem os preços das entradas. Andrés Sanchez garante que o ‘ bando de louco’ vai assistir aos jogos do  Corinthians em Itaquera, embora reconheça dificuldades de reduzir os valores cobrados.

Cobrar alto pelo ingresso é uma tentação dos dirigentes. O Santos já fez isso quando tinha Neymar e Ganso juntos. O próprio Corinthians, na Libertadores, sempre cobrou valores altos nas partidas realizadas do Pacaembu, com ingressos chegando a bater na casa dos R$ 800 para áreas vips. Tanto cobrava que a maior renda que o Corinthians tinha até o jogo de domingo na nova Arena era uma partida com o Flamengo pela Libertadores de 2010. No Itaquerão, a promesa que ouvi da boca do próprio Andrés é que todas as classes sociais terão acesso às dependências do estádio e o que vai mudar em relação aos torcedores que quiserem pagar mais é apenas o tipo de serviço oferecido. O corintiano que não se importa em desembolsar R$ 400 pelo ingresso, terá em troca tratamento diferenciado.

Vale lembrar que os preços dos ingressos também foram majorados nos outros estádios inaugurados para a Copa do Mundo. Quando cada um deles, inclusive o Maracanã, foi aberto pela primeira vez, os torcedores tiveram de colocar a mão no bolso para estrear seus assentos novos. Lembro-me que no Rio, muitos flamenguistas e seguidores dos outros grandes da cidade, chiaram por ter de pagar até R$ 120 por bilhete. Depois, com a arenas vazias numa pressão natural do torcedor que não tinha dinheiro para ir a todos os jogos do seu time, alguns valores caíram.

Imaginamos que depois de meses com o Corinthians jogando em sua nova casa, os preços para determinadas partidas voltarão à realidade do brasileiro, não em todos os setores do estádio, mas em grande parte dele. O Corinthians precisa fazer dinheiro para pagar o financiamento feito para ter o estádio, e me parece razoável e evidente que as bilheterias sejam um dos caminhos de arrecadação do clube.

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