O caso do goleiro Bruno, sua volta ao futebol e as manifestações de repúdio no Operário-MT

O caso do goleiro Bruno, sua volta ao futebol e as manifestações de repúdio no Operário-MT

Condenado pelo assassinato da namorada, caso ganhou repercussão pela crueldade dos fatos após investigação da Polícia

Robson Morelli

22 de janeiro de 2020 | 11h04

Sempre fui pela recuperação social de pessoas presas e envolvidas em crimes. A vida nos prega peças, somos fracos, a condição social pode nos empurrar para situações erradas e tudo se perde. Recuperar um presidiário após ele pagar sua dívida é dever do Estado e da sociedade. Pode até haver uma conotação religiosa no gesto. Ninguém pode permanecer mais de 30 anos preso. E esse preso tem de voltar para a vida fora dos presídios, certo de que aprendeu a lição, se arrependeu ou algo do tipo. Há quem não pense assim e respeito.

Ocorre que tenho muitas dúvidas em relação ao caso do goleiro Bruno, condenado na Justiça mineira a mais de 20 anos de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação de cadáver da ex-namorada e modelo Eliza Samúdio. Ele cumpriu parte da pena e ganhou o direito à liberdade condicional. Agora, volta ao futebol após assinar contrato com o Operário-MT. Já passou por isso antes e não deu certo.

Nesta terça-feira, houve protesto, com cartazes, contra a permanência de Bruno no clube de Mato Grosso. Mulheres e homens se manifestaram, principalmente contra o fato de ele ser recolocado no cargo de ídolo do futebol novamente. Como um cara que fez o que fez pode ter outra chance, pode virar ídolo, pode comer do bom e do melhor num time de futebol? Ele foi acusado de matar e esquartejar a namorada. Foi condenado. A revolta é muito grande. As pessoas não entendem como tudo isso é possível depois de tudo o que ele fez.

O caminho para a ressocialização talvez devesse ser longe dos holofotes, numa vida de menos prestígio e glamour que o futebol geralmente oferece para a minoria. Aos 35 anos, ele não é mais um “jogador” promissor. Deveria ter outro trabalho. Penso que se isso não acontecer, ele nunca terá paz. Se é que terá um dia dos vizinhos.

Não entro aqui no mérito das decisões da Justiça, que o liberou após pagar parte da pena. O fato é que parte dos moradores de Várzea Grande, região de Cuiabá, não o quer no time. Não o quer na cidade. Todos avaliam, certamente, como muito grave o que ele fez. E que não há perdão. Talvez muitos entendam que ele não pagou a pena. Talvez entendam que não há pena para o que fez. Seu caso ficou marcado pela crueldade. Não acredito que Bruno dará certo no futebol novamente. Nunca mais.

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