O certo era cadastrar esses trabalhadores do Itaquerão

Robson Morelli

24 de maio de 2011 | 09h22

Poderia chamar de irresponsável a declaração do presidente corintiano Andres Sanches sobre o início das obras do estádio do clube em Itaquera para esta terça-feira. Ele disse isso em uma entrevista sábado. Desde então, centenas de trabalhadores da construção civil batem à sua porta atrás de emprego. Pedreiros, serventes, mestre de obra. Essa corrida tem feito operários desempregados da zona leste a acordar cedo, tomar a carteira de trabalho nas mãos e se aglomerar na frente do terreno onde será erguido o Itaquerão na esperança de obter o registro. É trabalho para três anos.

E o próprio Andres aguçou o interesse dos moradores locais por dizer que 90% dos contratados serão da região. Opa! O trabalhador viu a chance de arrumar um emprego próximo à sua casa. Se for corintiano, melhor. Vai trabalhar com gosto. Mas o que todos descobriram nesses dias é que não há vagas.

O Corinthians e a construtora contratada não estão prontos para começar a construção. E Andres não poderia ter dito o que disse sem ter certeza de que a obra no seu quintal começaria mesmo no dia divulgado.

Não tenho dúvidas de que o estádio vai sair mais cedo ou mais tarde e que trabalhadores serão contratados de fato, mas o que fazer para impedir que pessoas se aglomerem todos os dias na porta do Itaquerão. Nesta terça cerca de 300 homens e algumas mulheres estiveram no local. Sugiro então que o Corinthians comece a fazer um cadastro dos trabalhadores em algum canto do terreno, com nome, telefone e ocupação e se comprometa a chamá-los assim que o primeiro tijolo for liberado. Só assim Andres conterá de forma responsável a agonia das pessoas em querer arrumar um emprego no estádio.

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