O Corinthians apresenta seu novo talismã, Romarinho

Robson Morelli

28 de junho de 2012 | 20h10

O nome é de craque, embora não tenha sido escolhido para homenagear nosso herói do tetra, que depois chegou ao milésimo gol e mais tarde decidiu se enveredar pelos caminhos da política. Romarinho é o cara. É o jogador do momento. O salvador corintiano, porque o corintiano sempre precisou de um salvador. O cartão de visita desse menino que foi batizado com a junção dos nomes de seu pai, ROnaldo, e de seu avô,  MÁRIO, foi apresentado semana passada no clássico chinfrim entre Corinthians e Palmeiras. Foi dele os dois gols da vitória alinegra por 2 a 1, resgatando o time da lanterna do Brasileirão. Mas como o Corinthians jogou com um time reserva, ninguém deu muita importância ao feito.

A comprovação de que um novo bom jogador (ainda é cedo para qualquer análise mais aprofundada de sua categoria) surge no Parque São Jorge foi atestada inconteste, no entanto, por milhares de corintianos que já davam como certo mais um fracasso na Libertadores da América. O time perdia por 1 a 0 quando Romarinho, de cabelos encaracolados e peito estufado, num toque de quem conhece, tratou de empatar o jogo na lendária La Bombonera em sua primeira participação. Ele entrou no lugar de Danilo provavelmente com a seguinte recomendação de Tite: “Vai lá, meu filho, e decide esse jogo. Faça o que você sabe.” E foi o que ele fez. Gol.

Todo corintiano sabe que não foi um gol qualquer. Foi um gol que pode escrever um capítulo novo da história do Corinthians na América, que pode levar o time para o outro lado do mundo, dessa vez sem convite, para disputar o Mundial de Clubes da Fifa. Foi um gol que fez a parte em preto e branco de São Paulo explodir de alegria. Foi um gol dentro da La Bombonera, diante de milhares de argentinos torcendo contra. Foi um gol aos olhos de Diego Armando Maradona, talvez o segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos. Foi um gol de Romário.

Até o lugar de onde esse predestinado menino veio, a Palestina, cidade do Interior de São Paulo, soa emblemático para um garoto que luta para ganhar seu espaço na equipe. Aos 21 anos, depois de passar pelo Bragantino antes de chegar ao Corinthians, Romarinho descobriu com uma nota apenas toda a alegria que o futebol pode proporcionar nas pessoas e a transformação que ele é capaz de fazer em sua vida. Foi ele que o torcedor quis abraçar após a partida na Argentina. É seu nome que se ouve de boca em boca nas ruas da cidade feito um telefone sem fio. Romarinho admitiu que a ficha do seu feito ainda não havia caído, mas que estava feliz por ter ajudado o Corinthians diante do Boca Juniors.

Graças ao menino, o Corinthians voltou de Buenos Aires festejando o empate de 1 a 1 com o mais duro rival dessa Libertadores. O time perdia por 1 a 0, resultado que fazia o torcedor repassar na mente o filme de suas quedas na competição, e não foram poucas. Era um filme de terror. Romarinho, se não reescreveu a última cena, ao menos resgatou a esperança para um desfecho inédito, como será inédita a possível conquista da Libertadores na próxima quarta, no Pacaembu.

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