O enrosco que o futebol se transformou para as TVs que exigem audiência

O torcedor brasileiro começa a mudar seus hábitos diante da telinha. Agora, há muito mais opções e os lances e gols estão em todos os sites na manhã seguinte

Robson Morelli

04 Março 2015 | 19h40

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A conta demorou para chegar, mas chegou alta. E as emissoras de tevês que sempre tiveram no futebol um de seus principais produtos estão com a corda no pescoço atrás de público para continuar com seus patrocinadores. Como a Globo detém todos os campeonatos de futebol no País, ela sofre mais, e vem sofrendo também porque paga mundos e fundos por um evento, no caso uma partida ao vivo, que não está mais segurando o torcedor diante da televisão. O cara do sofá foi dormir no intervalo. Assim, a audiência despenca no horário do futebol, independentemente de quem esteja em campo, de modo ainda a fazer os chefões da emissora a repensar sua grade.

Imagino que a Globo não vai abrir mão do futebol. Não por enquanto. O esporte só fica atrás de novela e jornalismo, talvez até na frente dos noticiários. A falta de interesse do torcedor é explicada não somente por um motivo, mas por vários, que, somados, vão mudando a hábito do brasileiro. Imagino que a qualidade duvidosa de muitos times seja um dos principais fatores desse desinteresse. O horário das partidas também. O futebol foi empurrado gradativamente para mais tarde, até bater nas 22 horas. Como as imagens e os gols e os lances estão nos noticiários e nos sites no dia seguinte logo cedo, muitos torcedores já não estão mais dispostos a esperar pelo fim da partida.

A debandada dos bons jogadores também contribuiu para a diminuição da audiência. Os craques estão na Europa e seus jogos são transmitidos sobretudo nos canais fechados, no meio da tarde, como é na Liga dos Campeões. E a tevê fechada ainda não atende a todos os lares brasileiros, vem crescendo, mas ainda não atinge a todos como a Globo.

As emissoras também pagam alto aos clubes pelos direitos de transmissão dos jogos. Na balança, para algumas delas, esse dinheiro não está mais sendo recuperado. Imagino que esse não seja o problema da Globo, mas é inegável que a emissora não se sente mais confortável em pagar milhões de reais por um ‘produto ruim’.  Voltar às decisões de mata-mata é encarado pelos homens do esporte da emissora como uma saída para a baixa audiência. O confronto eliminatório provoca ansiedade no torcedor e certamente o motiva a acompanhar seu time.

A Globo sabe que as baixas audiências, em breve, pode provocar preços mais em conta para os anunciantes, e isso significa menos arrecadação com o produto futebol. Portanto, um problema.

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