O ‘fico’ de Jorge Jesus é bom para o Flamengo, mas também é para o treinador português

Primeiro ano foi excelente, com duas conquistas importantes, Brasileirão e Libertadores; segunda temporada vai ser um desafio

Robson Morelli

03 de junho de 2020 | 17h00

A renovação de contrato de Jorge Jesus com o Flamengo poderia ter sido de forma mais natural. Desde o ano passado, o flamenguista espera por essa decisão, anunciada somente nesta semana. Jorge Jesus se deu muito bem no futebol brasileiro, no comando do Flamengo e na sintonia que conseguiu com a torcida. Não era para menos. Em um mesmo ano, ele recolocou o Flamengo no topo. Ganhou o Brasileirão e a Libertadores. Isso não é pouco. Há quem diga que se tivesse um Gabigol mais inspirado, poderia ter conseguido o Mundial de Clubes da Fifa diante do Liverpool.

O fato é que Jorge Jesus, dentro de toda a sua experiência no futebol, viu que o melhor lugar para ele era mesmo na Gávea. Não houve convite oficial de outros clubes da Europa nem de qualquer outro lugar que o fizesse se dobrar diante do que já tinha no Rio de Janeiro. E o que ele tem não é pouco. Jorge Jesus ganha bem e trabalha num time que faturou quase R$ 1 bilhão na temporada passada. Comandou um elenco que comprou suas ideias e o trata por ‘mister’. Não poderia haver respeito e reconhecimento maior, sobretudo de jogadores brasileiros. Ganhou a cidade e o torcedor do Flamengo. Portanto, tudo deu certo em seu primeiro ano.

Então, o Flamengo também sempre foi a melhor opção para Jesus. Isso precisa ficar claro. Da mesma forma que todos sabemos que um ano nunca é igual ao outro. Pode ser melhor, o que para o Flamengo significaria ganhar de novo o Brasileirão e a Libertadores e, desta vez, o Mundial da Fifa. Não é fácil. Então, existe a possibilidade de Jorge Jesus não conseguir a mesma sorte de 2019, principalmente num ano diferente por causa da pandemia.

Ocorre que 2020 pode mostrar desafios ao ‘mister’. Jogador que ficou a temporada passada no banco pode querer atuar mais e pressionar por isso. Pior. Amolecer nos treinos. A liga que o time deu pode se perder num ano bagunçado. Há interesse de venda nas janelas. Poucos jogadores mantêm a média elevada de um ano para outro. A parte física pode ser um empecilho uma vez que faz três meses que os treinos não são para valer. Isso pesa. Os rivais estão mais espertos. Tudo isso junto, numa temporada mais curta, pode atrapalhar um Flamengo que voou em 2019. Pode atrapalhar Jesus.

Tudo o que sabemos sobre:

FlamengofutebolJorge Jesus

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.