O fim do sofrimento do Palmeiras na temporada foi mais um duro golpe no torcedor

O ano de 2015 começa hoje para o Alviverde. Decisões precisam ser tomadas para que o time não fique mais uma vez para trás nessa corrida

Robson Morelli

08 de dezembro de 2014 | 11h53

Era para ser um dia de festa, moderada, mas de festa. Afinal, com suas próprias forças, depois de uma temporada ruim, o Palmeiras conseguiria se salvar do rebaixamento. O cenário foi montado para uma boa vitória. Era coisa para 3 a 1, 3 a 0. O palmeirense merecia isso em sua nova Arena, uma vez que a inauguração, dia 20 de novembro, foi um show de horrores ao perder para o Sport por 2 a 0, e batizar sua casa de forma negativa. Enfrentar o Atlético-PR com reservas e meninos da base era tudo que esses jogadores do Palmeiras queriam e precisavam para se sustentar na primeira divisão e entregar o ano do Centenário do clube de forma digna, ao menos na elite.

O que se viu na partida, no entanto, foi um festival de jogadas erradas, falta de pontaria e de personalidade no ataque, uma defesa comandada por um jogador que já foi importante, Lúcio, mas que não tem mais condições de vestir a camisa de um grande time e um craque, Valdivia, tentando de todas as formas construir as jogadas ofensivas. Podem falar o que for de Valdivia, e provavelmente o torcedor terá razão, mas o meia chileno faz a diferença no Palmeiras. Suas bolas eram todas nos pés dos companheiros, que por vezes se enroscavam nela e desperdiçavam os lances. Jogou até o fim, no sacrifício. Isso em nada apaga ou perdoa sua ausência em partidas importantes e decisivas do time, diga-se. Se o Palmeiras chegou na última rodada do Nacional ameaçado de cair, Valdivia também é responsável.

Daqui para frente, vida nova ao Palmeiras, com nova mentalidade, novas decisões e novos jogadores. O clube, tomara, tenha aprendido com o ano terrível. Não adianta o presidente Paulo Nobre dizer que tirou do bolso para ajudar a instituição. Isso só prova que ele tem muito dinheiro, mas não demonstra uma política ou gestão competente. O que ele faz agindo dessa maneira é amadorismo. O Palmeiras e o futebol brasileiro não podem mais trabalhar dessa forma. O associado do clube deu a ele mais dois anos de confiança. Nobre precisa retribuir isso, com mais competência, com decisões acertadas, com um time forte.

O Palmeiras perdeu seu lugar no cenário de São Paulo e do Brasil. Precisa resgatar sua tradição e respeito. Precisa frequentar a parte de cima da tabela e ganhar competições, revelar jogadores, fazer de sua nova casa um alçapão, como era o Palestra Itália. Pensar num elenco e decidir pelo futuro do treinador são assuntos que precisam ser tratados hoje ainda, com o risco de não perder mais tempo do que o time perdeu nessa temporada. Um gestor precisa administrar pensando no bem do clube. No caso, no bem no futebol do Palmeiras. O torcedor não suporta mais torcer para uma equipe fraca e sem raça, formada por jogadores ruins. 2015 precisa ser diferente.

 

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