O futebol alemão, a Bundesliga, mostra como será diferente a retomada das atividades esportivas

O futebol alemão, a Bundesliga, mostra como será diferente a retomada das atividades esportivas

O jogo perdeu sua graça, os atletas estão menos entusiasmados e mais robotizados, o medo de contágio entrou em campo e assim será até que se descubra uma vacina contra a covid-19

Robson Morelli

16 de maio de 2020 | 17h30

Não vai ser fácil assumir o novo mundo que se abre para todos ainda sem uma vacina para a covid-19, que continua matando pessoas em todos os lugares. A bola voltou a rolar na Alemanha, na retomada da Bundesliga, o campeonato nacional. E foi bastante sem graça. Os jogadores corriam diferente, não havia alegria nem entusiasmo. Tudo pareceu mais robotizado. Nem na hora dos gols os atletas sabiam direito como se comportar nesta nova etapa da humanidade. Alguns se tocaram. Outros ofereciam o cotovelo em cumprimento. Alguns tapinhas na cabeça foram vistos. Aquilo não era futebol.

A celebração tornou o esporte algo único na humanidade. Vencer, perder, tudo faz parte. Mas a festa da partida, da disputa, dos eventos esportivos, se tornaram algo incomparável nos últimos 100 anos. Refiro-me à celebração da chegado do torcedor ao estádio. Sua concentração. A festa antes dos 90 minutos. O momento do apito inicial. Do apito final. A apresentação das equipes. O drible. A tabela. As jogadas bem tramadas. O gol. Tudo estava dentro de campo nesta retomada do Campeonato Alemão. Menos a festa. O entusiasmo. As pessoas nas numeradas. Foi estranho.

Mas esse é o novo futebol que teremos de nos acostumar até que se ache um remédio ou vacina para a cura da doença, até que as pessoas não se sintam mais ameaçadas, com medo, neuróticas ao sair de casa, muitas vezes preconceituosas. Medidas de saúde foram tomadas, com higienização, sem aproximação. Mas tudo isso talvez sirva para os alemães. Como pedir esse distanciamento e frieza aos italianos? Aos brasileiros, acostumados a se pegar o tempo todo?

A Europa, de modo geral, abre suas portas para algumas atividades que ficaram paradas durante a fase mais dura da pandemia, entre elas o futebol. Cada país vai reencontrar seu momento e forma, mas todos acabarão se rendendo mesmo antes de o novo coronavírus ser derrotado. A diferença comparado ao Brasil é o estágio da doença. Aqui, o pico ainda não se mostrou. Mas vai passar. E vai passar quando os hospitais tiverem mais vagas do que leitos ocupados, quando as pessoas pararem de morrer porque não estão sendo tratadas adequadamente, quando os respiradores estiverem livres para quem precisar, quando os profissionais de saúde, médicos e enfermeiros, não se sentirem sobrecarregados…

Por enquanto, o futebol alemão, o primeiro na Europa a ser retomado, dá o tom de como será tudo nos próximos meses, bem diferente do que estávamos acostumados. Daí a necessidade imperativa de confiar nos cientistas e profissionais de saúde do mundo todo para a descoberta de um medicamento capaz de barrar a covid-19. Já fizemos isso antes. E faremos de novo.

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