O futebol brasileiro tem muito para fazer em 2017

É preciso mais personalidade em setores importantes da modalidade

Robson Morelli

26 de dezembro de 2016 | 11h13

O futebol brasileiro precisa resolver algumas pendências que levará da temporada de 2016 para a de 2017, assuntos que se arrastam há tempos aparentemente sem solução, ou pelo menos sem solução nas mãos dos que gerem o esporte mais popular do planeta. Abaixo um resumo desses temas.

1 – ARBITRAGEM
Foi, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles do nosso futebol, do começo ao fim da temporada. Erros grotescos provocaram reclamação de todos os lados. Não vi maldade na maioria deles. Nossos assopradores erraram porque são ruins mesmo, confusos, sem personalidade. Da mesma forma, sofreram com o auxílio dos bandeiras, tão ruins quantos eles. A Comissão de arbitragem mudou de mãos. Saiu Sergio Correa. Entrou o Coronel Marinho. Mais respeitado e com boas ideias. Precisa agora colocá-las em prática. A renovação da arbitragem não é mais o problema. É preciso dar condições a esses árbitros novos, tirá-los da zona da pressão, profissionalizá-los, de modo a treiná-los diariamente, com exercícios práticos e teóricos, com investimento. Os árbitros precisam pensar mais e gritar menos, sorrir mais e se aborrecer menos. São muito autoritários. É preciso ser amigos dos jogadores, confiar neles para receber o mesmo tratamento. É preciso ainda acabar com os sorteios. A comissão precisa ser isenta e escalar os melhores para os jogos mais difíceis e importantes. Formar um grupo bom para isso, de pelo menos 10 juízes de ouro. Só assim poderemos sofrer menos com a arbitragem no futebol brasileiro.

SantosGremioMauriciodeSouzaEstadao1_570

2 – MÁ GESTÃO DOS CLUBES
É preciso, da mesma maneira, formar gestores no futebol nacional, de modo a fazê-los gerir os clubes com mais inteligência e responsabilidade com as finanças. As TVs têm aumentado a cada ano suas cotas para a transmissão dos jogos, pagas aos clubes, e, mesmo assim, as associações esportivas estão sempre passando o pires, devendo no mercado, empurrando suas dívidas, pedindo mais dinheiro ou antecipando valores com seus credores. Atrasam salários porque se comprometem a pagar o que não podem. Contam com investimentos que ainda não têm. Nem mesmo os que têm arenas novas conseguiram aumentar suas receitas. O futebol é sempre um peso para esses clubes endividados, com folhas de pagamento altas. Hoje em dia, qualquer jogador meia-boca ganha de R$ 50 mil a R$ 100 mil. Ou mais. Os que voltam da Europa não baixam seus salários. Reféns de contratações de peso, dirigentes entram nessa e quebram a verba do ano com esses repatriados. O futebol precisa de dirigentes profissionais, que trabalhem com responsabilidade financeira, com vistas a formar bons times e a dar lucro para seus patrões. E, claro, ganhar títulos. Há alguns nomes no mercado. Mas é preciso ter mais. Todos os times precisam se valer do trabalho desse profissional.

ArgelDivulgacao350

3 – DEMISSÃO DE TREINADORES
A pressão da torcida e do próprio clube nas costas dos presidentes fizeram com que eles abusassem do direito de demitir treinador. Inter e Corinthians foram os recordistas. Falcão, por exemplo, permaneceu no comando do clube em que foi rei por 27 dias, uma vergonha. Oswaldo de Oliveira durou 62 dias no Parque São Jorge. Era para terminar a temporada e ficar em 2017. Os cartolas sucumbiram diante da pressão dos resultados e da necessidade de salvar a própria pele. Foi assim, por exemplo, com Roberto de Andrade, presidente do Corinthians. O cargo passa por uma reformulação. Os treinadores mais veteranos estão ficando para trás, perdendo empregos e não conseguindo se recolocar. Uma nova safra vem por aí pedindo passagem. São técnicos como Eduardo Baptista (Palmeiras), Fábio Carille (Corinthians), Zé Ricardo (Flamengo) e Rogério Ceni (São Paulo). A safra é boa, mas precisa da paciência da torcida e dos dirigentes. É preciso dar mais tempo aos técnicos. É impossível ter resultados com elencos fracos, jogadores de pouca personalidade e quase nenhuma individualidade. São poucos os que saem do lugar-comum.

 

DenisSPJFDIorioEstadao570

4 – INVESTIMENTOS NAS BASES
O Brasil precisa voltar a forjar jogadores nas bases, nos clubes do Interior, nos campinhos de terra. A formação de jogadores vai ser uma aposta na temporada de 2017, principalmente pela falta de dinheiro que toma conta dos clubes. Não há como competir com os euros da Europa ou os dólares da China. A base vai ser o caminho para a maioria dos clubes do País. A verdade é que já tem sido. Precisa ser mais. Um clube investe, em media, R$ até 4 milhões por ano nas categorias da molecada. É preciso, portanto, ter retorno. Pelo menos dois jogadores bons por temporada. Um que seja. A base precisa mudar também sua forma de trabalhar. Não se treina nas bases para ganhar títulos. É preciso trabalhar para atender o time de cima, jogadores que possam ajudar o técnico da equipe principal. É preciso ainda investir em fundamentos. Fundamentos básicos. Gostaria muto de ver também esses treinadores consagrados e que não têm mais empregos, ajudando a formar garotos. Seria um salto para o futebol nacional.

MarcoPolodelNeroWiltonJrEstadao_570

5 – TROCA DE COMANDO NA CBF
O futebol brasileiro vai sofrer por causa do presidente da CBF, Marco Polo del Nero. A Fifa já acenou que não tem interesse em negociar e apoiar a entidade enquanto ela estiver sob o comando de Del Nero, acusado nos Estados Unidos de corrupção e participar de esquemas fraudulento em benefício próprio. Del Nero tem sido um presidente ausente nos últimos dois anos, desde que estourou a onda de prisões no futebol. Caiu Blatter e toda a cúpula da Fifa, mas não caiu (ainda) o presidente da CBF. O senador Romário apresentou um relatório paralelo da CPI do Futebol em que pede o afastamento de Del Nero pelos mesmos motivos das investigações dos EUA. O relatório oficial nada constatou. Ocorre que o Brasil ficará mais ilhado em relação à Fifa e à Conmebol, e isso certamente vai prejudicar o futebol do País. 2017 será, nesse sentido, um ano de esperanças.

Tudo o que sabemos sobre:

Alexandre Pato; Corinthians; futebol

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.