O futebol brasileiro tem um longo caminho para percorrer em 2015

Os jogadores são fracos, os times são ruins, a administração tem pouca competência

Robson Morelli

23 de dezembro de 2014 | 17h24

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Muito antes dos 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo, o futebol brasileiro já se apequenava diante da modalidade praticada em países das Américas, mas sobretudo da Europa. O País do Futebol começava a perder terreno na corrida atrás da bola, via potências surgindo e nada podia fazer para manter sua qualidade e competitividade. Quem acompanhou o futebol no País nesta temporada sabe disso.

Joga-se no Brasil um futebol pobre e desprovido de talentos, das grandes jogadas e dos gols espectaculares. Parece tudo pelada, dos times que entram em campo aos estádios e organização. É de doer. Os clubes não revelam mais meninos bons de bola. A Copa São Paulo de Juniores, outrora vitrine para os times, se transformou num balcão de negócios. Há times de empresários. Revelar é secundário. Vender é primordial.

Por sua vez, os clubes formadores, ou que deveriam ser formadores, gastam milhões mensais sem conseguir muito sucesso. Parentes, amigos e, claro, alguns empresários ainda têm voz ativa nas bases. Vira um grande elenco de favores. É inaceitável que Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos não revelem pelo menos quatro jogadores por ano. O Santos ainda tem feito isso com alguma frequência, e é isso que tem salvado o time da Vila. Os outros, andam sem sair do lugar.

Em campo, carrinho na lateral virou sinônimo de jogador voluntarioso. A torcida aplaude. Ora. Em outras épocas, não tão distantes, carrinho era tido como falta de recurso. A torcida vaiava, ou pelo menos não se manifestava, talvez envergonhada. É o futebol se apequenando, e o torcedor se contentando com migalhas. Dribles, lançamentos, gols de fazer fila na defesa, nem pensar. O último capaz de fazer isso aposentou no fim do Brasileiro. Era Alex.

Sem jogadores, não há time. Sem time, não há competição. O melhorzinho, ou aquele que se organiza primeiro e com alguma sobra, leva vantagem, abre frente nos pontos corridos, ergue taças. Os outros… os outros dão carrinho.

Há ainda um novo componente: a Globo está insatisfeita com a qualidade dos jogos. A emissora paga aos clubes para transmitir as partidas, e dentro dos 90 minutos de um jogo, faz comercial, vende patrocícnio, ganha dinheiro. Se a audiência cai, o ganho também cai. É preciso rever tudo isso para ter um 2015 melhor.

Por fim, os clubes precisam aprender a gerir. E gerir com mais transparência. Poucos acreditam que todo o dinheiro arrecadado pelos times, como direitos de transmissão, patrocinadores, bilheterias, volta para o futebol. A desconfiança é generalizada. É preciso também gastar menos do que ganha. Trabalhar com sobras, com planejamento, sem tanta emoção na ponta do lápis. Um treinador, por exemplo, deve ser bem escolhido e ter o direito de trabalhar pelo menos por uma temporada. É um equívoco pensar que trocar de técnico vai melhorar a equipe. O Palmeiras provou isso nesta temporada, com três comandantes.

Enquanto tudo isso não for melhor trabalhado e gerido, o futebol dentro de campo continuará sendo essa várzea que foi em 2014.

RECESSO

Amigos, paro por alguns dias nessa virada de ano. 20 dias de férias. Deixo registrado meus agradecimentos a todos vocês que estiveram comigo neste 2014. Desejo um feliz Ano-Novo a todos. Divirtam-se e marcamos um reencontro aqui no fim de janeiro.

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