O futebol brasileiro terá de seguir, como seguem Mariana, Brumadinho…

O futebol brasileiro terá de seguir, como seguem Mariana, Brumadinho…

Mas temos de tomar lições com tudo isso. As respostas precisam ser dadas e os responsáveis, pagar e servir de exemplo

Robson Morelli

11 de fevereiro de 2019 | 10h28

Os capítulos vão se fechando e a vida vai tentando voltar à sua normalidade depois do trágico acidente no Ninho do Urubu, o CT do Flamengo, que matou dez garotos entre 14 e 16 anos na sexta-feira. Assim também com a vida seguiu depois de Mariana, Brumadinho… A dor não vai passar nunca para aqueles que foram diretamente atingidos. A perda foi imensa. Na manhã desta segunda-feira, os jogadores do Flamengo treinaram para as semifinais da Taça Guanabara, fase aguda do Campeonato Carioca. Aos poucos, o futebol vai retomando seu curso.

Mas ainda precisamos de respostas. O Brasil precisa dessas respostas. Mariana, Brumadinho, Ninho do Urubu são todos fatos que poderiam ter sido evitados. Não evitamos. Os responsáveis não evitaram. Um alvará não aprovado aqui, um jeitinho de continuar operando ali, um puxadinho acolá, total indiferença quando falhas são apontadas, aquele velho é reprovável discurso “de que isso nunca vai acontecer com a gente”. Sabemos bem como funciona isso. “Brasil, o País da propina” ainda é uma realidade que faz tudo, ou quase tudo, funcionar sob vistas grossas, decisões políticas, jeitinho perigoso. É isso que o brasileiro clama para acabar. No futebol e em todos os setores da sociedade.

O Flamengo é o clube mais rico do País. Não precisa manter seus garotos naquelas condições. Mas foi levando, ignorando as multas da prefeitura e dos órgãos competentes do Rio, que também não são tão competentes assim… E a vida vai seguindo no seu curso normal até que mais desgraças aconteçam. Dez crianças queimadas aqui, um povoado engolido pela lama ali, uma ponte que cai e, graças a Deus, não fere ninguém, uma chacina que enterra famílias… O brasileiro não aceita mais isso. O brasileiro está envergonhado do Brasil. E isso nada tem a ver com Brasília, embora também tenha e muito.

Diz respeito às pessoas que precisam tomar decisões e tocar procedimentos certos e não tomam por vários motivos, vão deixando de qualquer jeito, acostumados com o mal-feito, que não pensam em segurança, que só pensam em dinheiro. No caso do Flamengo, por exemplo, como um clube que tem receita estimada de R$ 750 milhões pode deixar de investir na segurança e conforto de seus funcionários? Dentro do seu gigantismo e arrogância do mesmo tamanho, os dirigentes do clube se recusaram a responder perguntas dos jornalistas sobre o incêndio e estrutura do CT. Muitas perguntas ainda estão sem respostas. Alguém precisa fazê-las. Alguém precisa respondê-las.

Os clubes de futebol, de modo geral, estão fechando seus CTs, de modo a não permitir que os repórteres entrem nos locais, façam perguntas, conheçam as dependências. Talvez se um de nós tivesse denunciado as condições dos garotos, essa tragédia poderia ter sido evitada. Talvez se não nos contentássemos com notícias oficias, também poderíamos ir aos órgãos competentes e ter descoberto algo de podre no Ninho do Urubu. Essas lutas, muitas vezes, são travadas de forma isolada, mas é nosso papel tê-las. Há, portanto, muitas falhas. O futebol vai seguir e que a tragédia do Flamengo nos sirva de lição. A todos nós.

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