O gol mais roubado no futebol é o gol de mão, como fez Jô, do Corinthians, contra o Vasco

O gol mais roubado no futebol é o gol de mão, como fez Jô, do Corinthians, contra o Vasco

A responsabilidade maior é da arbitragem, que validou o gol irregular

Robson Morelli

17 de setembro de 2017 | 19h38

Não há gol irregular mais doído do que gol de mão. O gol de mão arrebenta com os sentimentos de quem é enganado, destrói o moral da competição ou dessa coisa chamada fair play que a Fifa inventou, mas que somente ela acredita nisso dentro de campo, até com premiações. Pior. O time que sofre um gol de mão vai para a casa com a CERTEZA de que foi roubado. Há outras certezas ruins no futebol, mas nenhuma mais dolorosa do que o gol de mão. O feitor, aquele que coloca a mão na bola para fazer o gol, enganar a arbitragem e desrespeitar o colega de profissão (adversário), sabe o que fez.

Jô, o autor do gol de mão do Corinthians neste domingo contra o Vasco, na vitória de 1 a 0 do time da casa, o líder do Brasileiro, sabe que marcou um gol de mão, sabe que roubou, sabe que enganou a arbitragem ao sair comemorando. O que mais nos deixa com cara de bobo, e aí não somente o Vasco ou o torcedor vascaíno, é ouvir do próprio atacante, de banho tomado e horas depois da partida, que “a bola bateu no seu corpo” e que ele se atirou para tentar o gol. Ora, como assim “a bola bateu no meu corpo”? Em qual parte do seu corpo, Jô? No braço. “Sou um homem de Deus e honesto, não vi em qual parte do meu corpo a bola bateu. Apenas me atirei de encontro nela”.

Duvido que Jô não viu as imagens do seu gol no vestiário do Corinthians. Duvido que alguém do seu time não disse a ele que o gol foi irregular, de mão. Duvido que os jogadores do Corinthians não ensaiaram um discurso para explicar o fato. Mas não duvido que tudo isso faça parte do futebol brasileiro. Já tivemos outros autores de gols de mão, até em Copa do Mundo. O que pega para Jô é que ele se beneficiou no passado de uma lealdade de Rodrigo Caio, do São Paulo, em relação a um cartão amarelo que recebeu equivocadamente, e isso o tiraria do jogo subsequente. Rodrigo Caio foi ao árbitro e disse que Jô não merecia o cartão, porque ele havia atingido seu colega. O cartão então foi retirado na hora. Jô aplaudiu a honestidade de Rodrigo Caio.

Então, por isso, esperava-se o mesmo de Jô. Uma honestidade que não está no futebol. Que Jô deixou passar por causa de um gol e de uma vitória importante, que quebraria a sequência ruim do Corinthians. Jô disse que não viu, sentiu ou percebeu o toque do braço na bola. Saiu comemorado o gol como se tudo fosse normal. Não foi. Jô sabe o que fez. Mas também não tinha como se entregar.

Há cinco árbitros no jogo e mais um na frente dos bancos de reservas para impedir que isso ocorra. Nenhum deles viu a irregularidade. Nenhum. São 90 minutos de um trabalho ruim, fraco, executado por pessoas despreparadas e sem personalidade. Nenhum deles destoou. Todos viram gol. Duvido. Esse, talvez, seja o maior problema da nossa arbitragem. A conivência. Erram em bloco. Preferem morrer abraçados do que um deles apontar a verdade, fazer uma correção, nadar até a praia.

Não gostaria de ver o futebol refém do árbitro de vídeo, das paradas de jogo para averiguação e do que mais vier com essa tecnologia. Prefiro formar bons árbitros, profissionalizar a profissão de modo a fazer com que os assopradores se preparem melhor, sejam cobrados, ganhem mais e assumam erros, além, claro, de ter mais personalidade. É possível melhorar a arbitragem melhorando a profissão e dando a ela um caráter mais sério, e não de segundo emprego, como é atualmente.

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