O Interior morreu. E com ele o Paulistão

Robson Morelli

20 de abril de 2011 | 15h31

COLUNA PUBLICADA NO JORNAL DA TARDE DE QUARTA-FEIRA

Amigo do futebol, hoje a bola vai rolar. E poderia rolar melhor se a fórmula do Campeonato Paulista não fosse tão esdrúxula, arrastada e desgastada. É inconcebível acompanhar 19 rodadas e chegar à conclusão de que elas não valeram nada, que seu resultado era sabido feito combinação de tabuada: os grandes de São Paulo seriam os primeiros na classificação. Batata. E por que isso acontece? Porque a Federação Paulista de Futebol ainda entende que os times do Interior são aqueles mesmo do tempo em que ela foi fundada (1941), quando Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos e Portuguesa cruzavam a Anhanguera e enfrentavam as vicinais atrás de bons jogadores.

Esse tempo acabou. O Interior virou terra devastada em relação à formação de craques. Os clubes, que outrora eram chamados de fornalhas de bons atletas, administram pensando no lucro imediato para poder sobreviver por mais seis meses.

Geralmente são equipes de aluguel, juntadas às pressas para disputar o Estadual, com data de vencimento. Para evitar o vermelho no cheque, e quebrar, dirigentes aceitam conchavos de agentes para expor seus jogadores de graça nas competições.

E a FPF ainda trata o Interior como celeiro. Um ou outro, com muito custo, sobressai. Faça o teste. Qual é a revelação do Interior desse Estadual? Xuxa, do Mirassol? Renatinho, da Ponte? Ou Fábio Santos, do Oeste?

Por isso, faço parte do time que entende o Paulistão como uma competição defasada, desatualizada e inchada. Poderíamos pensá-lo com 16 clubes. O Rio já faz o seu Estadual com 16 participantes. O Mineiro tem 12. Hoje, o Paulistão tem 20. É muito. Os nanicos avacalharam suas administrações, nada ou pouco fizeram para crescer, mas continuam na série principal. É cômodo para eles.

Se fossem 16, a competitividade aumentaria. Esses 16 poderiam ser divididos em dois grupos de oito, com dois dos quatro grandes (São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos) em cada chave. Eles jogariam dentro do grupo em turno único. Seriam sete rodadas. Os quatro melhores de cada lado avançariam. O primeiro colocado do Grupo A enfrentaria o quarto do B em jogos de ida e volta; o segundo pegaria o terceiro, e assim por diante. Seriam mais duas rodadas. Os quatro finalistas fariam a semifinal em outros dois confrontos, ida e volta também, definidos por sorteio se a FPF preferir. Os vencedores jogariam a final em mais duas partidas. Esse Estadual teria 13 datas. E os clubes poderiam treinar mais para jogar melhor.

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