O Palmeiras mereceu cair para a Segunda Divisão. Está no lugar certo

O Palmeiras mereceu cair para a Segunda Divisão. Está no lugar certo

Robson Morelli

19 de novembro de 2012 | 12h58

É claro que as lágrimas do torcedor palmeirense comovem. Mas a derrocada diante do Flamengo, com sua consequência, foi apenas o último ato de uma peça que começou lá atrás, mal ensaiada e de atores de péssima qualidade. A queda para a Segundona se anuncia há meses. E todos no clube, da situação à oposição, de Luiz Felipe a Gilson Kleina, de Valdivia a Maikon Leite, tem sua parcela de contribuição para esse fracasso que não combina com a história do Palmeiras.

E não combinar não quer dizer que não mereça. Pois digo que o Palmeiras mereceu o fim trágico que teve no Campeonato Brasileiro. O fato é que se formou no Palestra Itália em uma mesma temporada tudo o que é ruim no futebol, o contrário do que se prega dentro e fora de campo. O elenco, que entrou em campo 36 vezes nesta competição, carrega o maior fardo nas costas. Nunca um equipe do Palmeiras mostrou tão baixo índice técnica e redimento como essa, nunca se juntou tantos jogadores sem personalidade e nunca também se enganou tanto num mesmo elenco durante tanto tempo.

Daria para fazer uma lista dos jogadores do Palmeiras sem a menor condição de vestir a camisa do clube. Mas deixo essa tarefa para o torcedor, sábio em sua forma de avaliar atleta do seu time. A equipe abraçou jogadores de características das mais variadas possível. Tem o grupo dos pernas de pau, grossos na concepção da palavra, sem qualidade para acertar um passe um pouco mais longo. Tem o grupo dos esforçados, mas de pouca inteligência com a bola nos pés. Esses jogadores foram os que mais irritaram a torcida ao longo desse calvário. São aqueles atletas que não hora de passar a bola, preferem o chute. E na hora de chutar, fazem o passe. Estão sempre fazendo a jogada errada.

O time ainda sustentou o grupos dos ‘chinelinhos’, aqueles que ganham no mole sem se esforçar. É o emprego que todo mundo queria. Dinheiro no bolso e chinelo nos pés. São os chamados ‘malandros’ do futebol. Não se envolvem com nada e vivem no departamento médico, machucados ou tentando se colocar em forma. É inadmissível que um time como o Palmeiras tenha jogador fora de forma em novembro.

Dos que honraram a camisa, os agradecimentos do torcedor. Esse grupo é minoritário, infelizmente. E nada disso mudaria se o Palmeiras tivesse escapado da degola. O que se escreve aqui não é uma condenação sumária, mas uma constatação que independe do destino do time. Sabe-se agora, a Segunda Divisão.

A comissão técnica liderada por Luis Felipe Scolari também não teve pulso ou respaldo para fazer a coisa certa, na hora certa. Jogadores não foram cobrados tampouco afastados por falta de condição técnica e de envolvimento com o grupo. Esse, aliás, é um velho problema do futebol brasileiro. Técnico nenhum de futebol consegue mexer nos elencos, desaprovar jogadores e afastar aqueles que não contribuem. Não conseguem porque compram briga com a diretoria ou porque compram briga com o próprio elenco. Aí, dá no que dá. O caminho é se tornar ‘paizão’, amigos de todos. Só assim conseguem reunir o elenco em torno de um objetivo.

Felipão teve tempo para sentir o grupo e fazer sua avaliação. Dispensar jogador também fazia parte do seu trabalho. Escalar atleta sem qualidade foi um grande erro. Fosse Felipão um treinador de menor envergadura, dava até para entender o receio de trocar. Não espero isso de Gilson Kleina. Mas esperava de Felipão, o sargentão do futebol brasileiro. Mas ele perdeu a mão, foi levando sem se envolver também, aceitando tudo o que lhe era oferecido sem espernear até o fim. Foi um grande erro. Os bastidores do Palmeiras indicam também que ele não teve refresco da diretoria, sobretudo com Roberto Frizzo, com que nunca se bicou.

E por fim, a diretoria do Palmeiras mostrou-se não saber nada de futebol, apesar da boa vontade do presidente Arnaldo Tirone. Andou para trás nesses dois anos de comando e entrega agora um time na Segundona. Não dá para se esconder atrás de adminstrações anteriores. Não é mais o caso. Duas temporadas  são mais que suficientes para ajeitar o futebol do time. Foi um trabalho fraco. A única coisa que parece funcionar no clube é a construção do estádio. Mais nada. E se a situação deixou a desejar e deve pegar o seu boné agora nas próximas eleições, a oposição, que deve assumir o clube, também não fez nada para ajudar. Pior. Minou o pouco que se tentou fazer com brigas internas, desacertos e críticas. Como sempre.

Por isso que todos no Palmeiras mereceram a Série B. O Palmeiras, em todos os seus setores, é um clube de Segunda Divisão. E não merecia ficar entre os melhores do futebol brasileiro até que todas as suas arestas sejam aparadas.

Tudo o que sabemos sobre:

palmeiras

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.