O Palmeiras não está para brincadeira sobre a anulação da final o Paulista

A motivação é legítima, mas o foco deve ser a melhoria na arbitragem e não em tomar o troféu do Corinthians

Robson Morelli

20 de abril de 2018 | 11h52

Os passos que a diretoria do Palmeiras vem dando para anular o resultado do Campeonato Paulista não deixam dúvidas do seu real interesse em levar o caso até o fim. O clube contratou investigadores externos para apurar se houve ou não interferência de fora da arbitragem na decisão contra o Corinthians, dia 8 de abril. Agora, o Ministério Público mostra-se interessado também na apuração dos fatos. O presidente Maurício Galiotte está disposto a ir até o fim nessa história, talvez esteja em campanha para a próxima eleição, talvez tenha levantado uma bandeira contra a ruindade da arbitragem e contra o senso comum, mesmo sem provas, de que há sim interferência da TV nas decisões dos árbitros nos jogos, o que não pode por lei da Fifa.

Escudo

O fato é que o Palmeiras não quer deixar o caso cair no esquecimento, talvez ainda por honra após as declarações do próprio Galiotte.

Mudar o resultado do campeonato no tribunal depõe contra o próprio futebol, e o esporte de modo geral. Não penso ser esse o caminho a ser pego dependendo dos resultados das apurações. Vejo a conquista do Corinthians imaculada nesse sentido. Seria um erro mudar agora o que aconteceu em campo. O tribunal poderia considerar os dois times campeões paulistas de 2018, o que seria algo discutido também e rebatido até o fim dos tempos.

Penso que o caminho dessa investida pesada do Palmeiras poderia ter um único foco: ajudar a melhorar a arbitragem, de modo a provar, no caso, a interferência da arbitragem e fazer com que isso não ocorra mais. A ideia de o clube ter circuito fechado de câmeras também me parece uma boa, mas ele não seria apenas para identificar torcedores briguentos. Seria usado para avaliar as atitudes dos árbitros e de seus parceiros. Impedir que tantas pessoas da arbitragem entrassem no campo, abrir na súmula a transcrição das gravações das conversas dos árbitros durante os jogos, enfim, criar uma série de novas condutas para deixar esse trabalho bem mais transparente. Esse seria o caminho.

Não vejo motivo, por exemplo, para não saber o que os árbitros conversam durante os jogos. Se eles não estão fazendo nada de errado, porque então não liberar os áudios? Essa transparência é muito melhor do que a necessidade de implementar o árbitro de vídeo. Essa transparência sempre faltou ao futebol e é ela que também sempre nos fez crer que alguma coisa de estranho há no reino do apito.

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