O Palmeiras resgata a emoção do seu torcedor. Precisa mais, no entanto

Robson Morelli

12 de abril de 2013 | 10h59

Duas classificações asseguradas com antecedência, no Paulistão e na Libertadores, digamos, eram possibilidades que o torcedor do Palmeiras não esperava. Sejamos francos. Não seria demais dizer que o Palmeiras, pelo que demonstrou neste começo de ano, teria muitas dificuldades para conseguir vaga nas fases seguintes das duas competições, mesmo sendo o Estadual uma baba. Libertadores então, era só para cumprir tabela. Contra essa sina, o Palmeiras se superou.

Méritos para um elenco esforçado, e nada mais que isso. Ocorre que no futebol, ter raça, e boa dose de disposição, pode sim trazer resultados. É dessa água que o Palmeiras bebe no momento. Jogando com vontade, sem frescura ou salto alto, o time de Gilson Kleina tem comemorado vitórias importantes, uma atrás da outra, e classificações que até Deus duvidava. De modo que com isso conseguiu uma terceira façanha: reconquistar seu torcedor.

Ver um Pacaembu lotado, e depois uma festa, mesmo que timidamente, pelas ruas da cidade, era algo impensável há dois meses. O torcedor admira jogadores que correm atrás da bola com dedicação e empenho. Reconhece nos rostos desconhecidos dos atletas força para levar o time mais longe. É o que tem acontecido. De quebra, o clube consegue faturar um pouco mais com bilheteria (R$ 1,3 milhão nessa partida com o Libertad, pela Libertadores) e prestígio. É muito mais fácil fechar negócios com a equipe ganhando do que com ela lamentando derrotas, claro. E esse também é o momento do Palmeiras. Brunoro e seus comandados tentam ‘vender’ o Palmeiras a preço mais alto. As classificações podem ajudar nisso.

Só não podem se iludir. Esse Palmeiras que voltou a dar emoção à sua torcida não é um time capaz tecnicamente de chegar longe diante de rivais mais qualificados. E adversários mais qualificados o time vai encontrar nas fases de mata-mata do Paulistão e da Libertadores. O presidente Paulo Nobre precisa continuar seu trabalho de pescador para trazer reforços, jogadores com mais qualidade técnica para ajudar até esses meninos que começam a mostrar apetite e envolvimento. Só assim eles crescerão.

É preciso também resolver de alguma maneira mais efetiva a recuperação física e clínica de jogadores importantes para o time, como Valdivia, que continua se machucando demais e jogando de menos. Isso é fato. É preciso fazer alguma coisa mais séria com esse rapaz. Não dá para ter Valdivia internado no departamento médico do clube por tanto tempo. Com tamanho avanço na medicina esportiva, é duro engolir tantas contusões musculares.

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