O que está acontecendo com o jogador brasileiro, o novo perna de pau do continente?

O que está acontecendo com o jogador brasileiro, o novo perna de pau do continente?

Num passado recente, os atletas brilhavam no País antes de ganhar o mercado europeu. Mas agora eles parecem todos sem vontade, para não dizer que a maioria é enganador

Robson Morelli

16 de agosto de 2020 | 22h45

A seleção brasileira não assusta mais nenhum rival sul-americano, nem mesmo os venezuelanos que sempre apanharam de goleada em qualquer competição. Não valia enfrentá-los nem em amistosos. Na temporada passada, um dos jogadores de maior destaque no Brasileirão foi Soteldo, um venezuelano que ajudou o Santos e ficar em segundo lugar no torneio nacional. Mas não é apenas a seleção que não assusta mais ninguém. O jogador brasileiro está virando um perna de pau. Não sei o que anda acontecendo com ele. Se alguém souber, me escreva. Publico na íntegra.

Há pistas, no entanto.

O jogador brasileiro se acomodou na profissão. Joga para o gasto até se profissionalizar. Depois, entra no modus automático. Joga uma partida boa, duas ruins. Se seu time marca um gol, não corre mais e só toca a bola para trás – um hábito, aliás, cada vez mais comum, e irritante, entre os atletas daqui. Quer um exemplo? A dupla de moleques do Palmeiras formada por Gabriel Menino e Patrick de Paula. Eles já entraram no maldito toque para trás. Por favor, comissão técnica do Palmeiras, alô, Luxemburgo, não deixe que isso aconteça.

Além de se acomodar, esses jogadores estão ganhando demais. Não que não mereçam, mas precisam fazer por merecer. E não fazem. Mesmo assim, eles ganham altos salários, na casa dos R$ 300 mil, R$ 400 mil, R$ 500 mil por mês. Um grupo cada vez maior passa dessas cifras. E também não fazem por merecer. Ocorre que a maioria dos presidentes, fracos, aceitam pagar tudo isso. Alguns aceitam porque não vão pagar, já sabem de antemão. Mas também sabem que o cara não vale. Então, é uma negociação mentirosa, com promessas dos dois lados que não serão cumpridas. O jogador não tem de ‘comer grama’ para ganhar mais no seu clube. Não tem mais essa percepção de trabalhar bem para ganhar cada vez mais. Ele sabe que ganha mais sem trabalhar bem. Quer um exemplo? Lucas Lima, do Palmeiras. Tem contrato, ganhar bem e não faz nada em campo, com qualquer treinador, entrando desde o começo num jogo ou no segundo tempo. Acomodou.

O atleta acomodado e que ganha bem pode ainda nunca ter sido bom de bola. Há melhores empresários no Brasil do que jogadores (vão me crucificar por isso). Esses caras vendem banana nanica a preço de ouro 18 quilates. E os presidentes de clubes compram. O Brasileirão só tem jogador limitado. Tirando um ou outro. Nem a turma do Flamengo manteve a regularidade. Como os treinos são fechados, ninguém mais sabe o que esses caras treinam, quanto acertam nos treinos e quanto erram também. Ninguém chuta a gol, por exemplo, certamente com medo de mandar a bola na Lua, uma expressão antiga no futebol brasileiro. Os passes para frente, objetivos, são péssimos. Os passes para trás são bons. Mas sabemos que futebol se joga pra frente, né? Os jogadores brasileiros são medianos apenas. Já vem assim há alguns anos. Temos de baixar nossa expectativa. Embora prefira acreditar que um garoto que chega ao profissional já foi bom de bola um dia. Começo a duvidar disso também. Quer um exemplo? Lembra do Dayverson, ex- Palmeiras? Nem preciso explicar, né?

O atleta acomodado, que ganha bem e nunca foi um craque tem atualmente várias funções em campo. Ele não está preparado para isso. E aí não faz bem nem uma nem outra coisa. O jogador brasileiro rendia mais quando ele fazia apenas a sua. O ponta era ponta. Pegava na bola e tinha de ir para cima, para o gol ou para o cruzamento da linha de fundo. O atacante era atacante. Estava lá na área esperando essa bola para marcar gols. Quando o futebol era jogado dessa forma, os atacantes faziam mais gols. Isso vale para todos os outros em campo. Ninguém sabe mais o que deve fazer em campo. O ponta vira lateral e o lateral vira ponta. Inventaram até o lateral-escanteio, aquele que o cara joga a bola na área com as mãos. Quer um exemplo? Marcos Rocha, do Palmeiras. Ele prefere atirar a bola na bagunça do que dar para um companheiro nos pés.

O jogador brasileiro faz tempo não joga mais nada. Não tem mais vontade. Não corre pelo prato de comida. Já se profissionaliza cheio de dinheiro, com a casa dada aos pais, com carrões na garagem… sem qualquer foco e sem caminho traçado. Se mantiver certa regularidade, acaba na seleção brasileira. Aí ele fica insuportável.

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