O que seria a preleção de Muricy para uma derrota diante do Ituano

Robson Morelli

19 de março de 2014 | 14h02

Embora as desculpas já foram pedidas e o assunto resolvido pela cúpula corintiana, ainda assim há muita mágoa por parte de Muricy Ramalho sobre as insinuações de Mano Menezes de que o São Paulo entregou o jogo para o Ituano para eliminar o rival do Parque São Jorge do Paulistão. É ferida aberta e difícil de cicatrizar. Fico imaginando como seria uma preleção de Muricy nesse sentido. E há algumas pérolas que poderiam ter sido ditas pelo treinador, claro, de acordo com a ‘certeza’ de Romarinho de que o São Paulo jogou aquela partida para perder.

O tradicional ‘aqui é trabalho’ ou ‘vocês precisam correr pelo prato de comida’ seria trocado por orientações do tipo ‘hoje é um domingo de descanso, vamos entrar em campo, diante de nossa torcida, sem a necessidade de somar os três pontos. Os torcedores estão com a gente e basta identificarem que queremos perder, para nos empurrar para o abismo. O time tem de motivar sua torcida e não o contrário’.

Em relação à necessidade de correr atrás da bola para defender o jantar, Muricy poderia ter pedido calma aos jogadores. “Meu, o sol está muito quente e não podemos nos desgastar tanto. Se chover, como disse a mocinha do tempo na tevê, vamos tirar o pé que é para a gente não se machucar. Não quero ninguém aqui correndo como louco. Não precisa. Isso aqui é só um jogo de futebol, meu. Ouviu, Rodrigo Caio. Isso vale para todo mundo’.

Do outro lado, imagino também os jogadores são-paulinos ouvindo essas pérolas. ‘Quando tiver escanteio pra gente, vai só o Luis (Fabiano) na área. Veja o que você consegue lá, meu. Pula com os caras de cabeça. O resto fica onde está. Aproveita o escanteio para tomar água. E se o Rogério quiser dar água para algum adversário, pode dar.’

Muricy poderia também mudar a disposição tática dos jogadores de defesa, diminuindo a pressão para marcar e para tirar o espaço dos adversários do Ituano. ‘Os laterais quando avançarem, vão os dois ao mesmo tempo, e cuidado na volta, hein!’ Não precisa compor rapidamente o setor defensivo para que não se desgastem tanto. Voltem andando, puxando o ar e enchendo os pulmões’.

Para Ganso, o jogador mais inteligente do São Paulo, o treinador certamente pediria que fosse expulso, de modo a dar mais espaço para os companheiros no meio de campo. Com um jogador a menos, o São Paulo teria mais terreno para tocar a bola.

Em sua preleção para perder diante do Ituano, Muricy ainda precisaria convencer o capitão Rogério Ceni a entregar o ouro, se fingir de cone e deixar a bola passar, cair no chão em chutes pelo alto, ir com a mão mole em bolas à queima roupa. Com Ceni, para não ficar chato para o ídolo, Muricy teria de adotar outras táticas. Teria um papo-reto fora do ambiente do grupo, sem que ninguém ouvisse seus pedidos. Afinal, não se pede para um capitão entregar o ouro na frente de outros jogadores.

E dessa forma, como sempre, o elenco obedeceria as determinações do chefão. E ai de quem não cumprisse seu papel nesse teatro.

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