O Ronaldo não é invenção. Eu o vi jogar

Robson Morelli

25 de março de 2010 | 10h24

A derrota do Corinthians por 1 a 0 para o Paulista expôs bem mais que a fragilidade do time de Mano Menezes neste momento da temporada. Expôs um Ronaldo em frangalhos. Nunca achei que fosse presenciar o melhor atacante que vi jogar desta forma. Há muito carinho envolvido na história deste jogador. E, de uma maneira ou de outra, todos nós lamentamos ver o Fenômeno se arrastar acima do peso, errar chutes na área e cair de bunda no chão, fazer gestos obscenos para algum torcedor menos paciente com sua performance em Barueri, onde foi a partida quarta-feira.

 Não é este o Ronaldo que tenho guardado nas lembranças, aquele das arrancadas geniais com a camisa do Barcelona, das jogadas de técnica e raça na Inter, Milan, Real Madrid, Seleção Brasileira. Aquele que fazia tremer zagueiros renomados. E guardava todos no gol adversário. Que saudade! 

Nunca olhei para Ronaldo de outra forma a não ser esta. Nem quero olhar. Daí o segredo de Pelé de ter largado a Seleção após o Mundial de 1970, no auge, e jogado um pouco mais depois somente para ganhar dinheiro e desfilar sua graça, como fez no Cosmos. Não engordou nem piorou, diferentemente de Ronaldo que é sim o jogador brasileiro mais conhecido no planeta. Sempre foi cheio de carisma e sempre pronto a estender a mão principalmente para as crianças. Vi Ronaldo chegar em hotéis com a Seleção e aquilo virar um inferno com sua presença, todos querendo chegar perto do ídolo. E ele sempre sorria. Sempre foi um menino feliz.

Seu jeito ou gesto quarta-feira, seu pouco envolvimento, sua gana de continuar sem poder só fazem destruir esta imagem bonita e vencedora que todos têm dele. Ronaldo nasceu homem, virou mito e agora parece ter caído do Olímpo. Um garoto de 6 anos na Copa de 2002 e agora, portanto, com 14 acha que Ronaldo é uma invenção da mídia. Acha que Ronaldo talvez tenha sido um pouco melhor que aquele atacante que tentou aproveitar cruzamento de Roberto Carlos e caiu sentado no gramado após a bola passar em sua frente. Digo que Ronaldo não é invenção, meu garoto! Acredite! O Fenômeno existiu. Eu vi. E digo ainda que ele tem condições de se despedir dignamente, mas não da forma em que está no Corinthians.

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