O Santos, o Barcelona e o dinheiro da venda de Neymar

Robson Morelli

31 de janeiro de 2014 | 15h05

Está ficando comum no futebol mundial dirigentes pressionados por falcatruas, desvio de dinheiro e outras contravenções nessa linha abrirem mão de seus mandatos e sumirem do mapa como se isso varresse toda a sujeira de suas administrações para debaixo do tapete sem que a conta fosse paga.

Abrir mão do cargo, como fez o presidente do Barcelona, Sandro Rossel, ou mesmo o manda-chuva da CBF, Ricardo Teixeira, lá atrás, diga-se, eram parceiros no futebol, virou válvula de escape desses senhores para colocar o dinheiro conseguido com ‘trabalho’ numa mala (grande) e tocar sua vida longe das acusações. Fazem isso alegando segurança de familiares, problemas de saúde e outras descupas dessa natureza.

Dessa forma, o acusado sai de cena e o novo artista, muitos vezes segundo ou terceiro na hierarquia do próprio clube ou da entidade, assume o posto escorado pela desculpa de que ‘o chefe era outro’. E vida segue. O Brasil e muitas outras praças têm leis que responsabilizam seus dirigentes. O desafio é levar esses processos até o fim, tirando dinheiro do acusado se for o caso e fazendo com que ele justifique cada tostão que colocou no bolso.

Contas precisam ser abertas pela Justiça, não só dos envolvidos, mas de gente próxima a eles, no Brasil e no Exterior. O caso da venda de Neymar do Santos para o Barcelona é um desses episódios que precisam ser explicados, investigados, apurados e responsabilizados. A família do jogador ficou com uma bolada, o clube vendedor com menos, a empresa patrocinadora com uma fatia… Os números não batem. Todos se sentem enganados. E as pessoas envolvidas continuam batendo boca, em explicações que não colam nem se encaixam, em documentos até então escondidos.

Quem perde com isso? Os clubes. O Santos certamente poderia ter mais dinheiro em caixa se conseguisse vender Neymar por valores mais conduzintes com seu talento, e assim fortalecer suas fileiras, sua estrutura. No caso de Neymar até que vendeu bem, mas, como se sabe agora, não ficou com o dinheiro gordo.

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