O São Paulo ainda aposta em Osorio. Mas Osorio ainda aposta no São Paulo?

Treinador se sente traído com tantas baixas no elenco. O último a sair foi Toloi, às vésperas do jogo com o Flamengo. Se ele ficar, assinará o possível naufrágio do time na temporada

Robson Morelli

24 Agosto 2015 | 09h59

A diretoria do São Paulo não sabe o que faz com o futebol do time nesse momento. A sequência de derrotas no Brasileiro e Copa do Brasil é o que menos preocupa os cardeais do Morumbi nesse momento. O problema maior é olhar para frente e não ver nada. O São Paulo está sem rumo. Ninguém no clube duvida que o time possa reverter a situação contra o Ceará na Copa do Brasil, mesmo em jogo fora de casa. O entendimento que se tem da derrota no Morumbi por 2 a 1 para o então lanterna da Série B é que o resultado foi um acidente, e que se o São Paulo jogar mais dez vezes contra o time cearense, vai ganhar todas.

Não entendo que seja bem assim porque o São Paulo atua com medo e desconfiança, seus jogadores não se respeitam mais, um cobra o outro numa medida que já passou do comum. Suas principais peças, como Ganso, Pato e Luis Fabiano, não funcionam ou estão com a cabeça longe. Nesta semana, o presidente Carlos Miguel Aidar receberá a notícia de uma possível venda de Pato para a Europa. A janela de transferência se encerra no fim do mês. O Corinthians pode baixar a pedida de 10 milhões de euros (R$ 38 milhões) somente para se desfazer do contrato do jogador. O próprio Pato vai pedir isso, e o São Paulo terá de concordar porque não tem dinheiro para mantê-lo. Ganso e Luis Fabiano são outros problemas.

Não seria surpresa se o São Paulo também se livrasse do meia. Luis Fabiano fica até o fim do contrato, em dezembro, mas nada o impede de pedir para sair antes. A diretoria também não criaria muito caso se isso acontecesse. As cartas estão na mesa dos dois lados. Os jogadores querem resolver suas situações e seu futuro e o clube precisa de rearrumar. Do jeito que estão não vai ficar. Nos bastidores, o São Paulo ainda vive uma reformulação de sua estrutura gestora. Há mais cargos, mais caciques e mais melindres. Dirigentes vão perder poder. Outros ganharão. É a ‘nova república’ do Aidar.

O caso mais imediato, no entanto, é a permanência do técnico Juan Carlos Osorio. O colombiano já disse a pessoas próximas que foi traído com tantas baixas no elenco.  Não usa essas palavras, mas seu entendimento é que lhe venderam uma situação que não condiz com a realidade. O último a deixar o clube foi Toloi, negociado por R$ 14 milhões para a Atalanta, da Itália, às vésperas da partida deste domingo contra o Flamengo. Isso vai minando o trabalho de Osorio e ele não parece muito disposto a assumir essa responsabilidade. Está entre a cruz e a espada. Se ficar e o time naufragar, assinará esse B.O.. Se sair alegando essa ‘traição’ com o desmonte do elenco, sabe que nunca mais voltará por essas bandas. Nesse momento, a cúpula tricolor ainda aposta no técnico. A dúvida é saber se Osorio ainda aposta no São Paulo.