O São Paulo dançou o tango de Sabella

O São Paulo dançou o tango de Sabella

Aidar esperou pelo argentino e se iludiu feito coração apaixonado

Robson Morelli

23 de abril de 2015 | 14h42

A recusa de Alejandro Sabella ao São Paulo era esperada. Apenas os dirigentes do Morumbi alimentavam a esperança de contar com o treinador argentino, com mercado na Europa e que sempre tratou a oferta brasileira com desdém. Insistiram na bola errada, na soberba que sempre reinou no tricolor. É inadmissível que a diretoria de futebol do São Paulo não tenha percebido nas conversas com Sabella sua falta de interesse em treinar o time, cujo cartão de visita para convencer o treinador deveria ser Alexandro Pato, com passagem pela Itália, mas que nem do São Paulo é definitivamente.

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“Vou ver”, deve ter sido a resposta do técnico argentino. E isso, para os dirigentes tricolores foi ‘quase um sim’. “Vou ver” é resposta para não dizer ao interlocutor um “não” alto e em bom som. Aidar caiu nessa, da mesma forma que colocou entre seus interessados Jorge Sampaoli. Sonho, ilusão. Assim pode ser descrita essa procura por técnico do presidente são-paulino. Pior. Abel Braga, que estava mais na mão, foi desdenhado ou colocado no fim da fila e isso pode ter consequências numa nova procura. Da mesma forma que Aidar descartou Luxemburgo sem esgotar todas as possibilidades, apostando nos estrangeiros.

O clube não quer mais pagar R$ 700 mil de salário para um treinador. Trabalha na casa dos R$ 300 mil mensais, talvez um pouquinho mais, dependendo das negociações e de quem se está contratando. A ideia é baixar os custos. Sem Muricy, o São Paulo já economizou esse valor no mês. Está guardado para o próximo. Milton Cruz, o interino que tem o elenco nas mãos, sonha também ser efetivado, mas não vai. Não tem estofo para tanto. Ainda não.

Milton Cruz era a melhor aposta do São Paulo nessa fase pós-Muricy, em que o time tinha de decidir sua vida no Paulistão e na Libertadores. Conseguiu 50% de sucesso. Mas e agora? Vale a pena continuar com o interino como o São Paulo fez com Rojas lá atrás, já sabendo que ele não vai se sustentar por conta própria?

Uma solução é fechar com o elenco e apostar numa autogestão dos jogadores, encabeçada por Rogério Ceni, Ganso, Michel Bastos, Pato. Seria uma combinação nova e revolucionária no Morumbi. Mas também não vejo isso possível dada a tradição do clube e de seus cardeais. Seria uma ilusão, como foi o tango de Sabella.

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